Ana está atenta ao futuro

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Ela tem um cargo importante na empresa do pai, e afirma: “Lei do TRC vai separar o joio do trigo”

Ralfo Furtado

Ana passou a infância brincando entre pneus e caminhões, com duas irmãs, na Transportadora Ajofer, fundada em 1972, em Santo André (SP), por seu pai, seu avô e dois irmãos do avô, todos Ferreira, de onde vem o “fer” do nome da empresa. Ela ainda nem tinha nascido nessa data.

Antes, seu pai e seu avô eram autônomos, mas criaram a transportadora para continuar fazendo o que já faziam: o transporte de pneus para a Pirelli. A parceria continua até hoje.

Aos 16 anos, o pai a levou para trabalhar na empresa. Ela conheceu tudo o que acontece lá dentro, do escritório à oficina e à operação. Quando fez a faculdade de Direito, montou um departamento jurídico. Desde 2006 é gerente administrativa, jurídica e de recursos humanos.

Ana Carolina Ferreira Jarrouge: preocupada com a concorrência dos estrangeiros

Uma das irmãs que brincavam com ela, Andréa, trabalha na empresa como controller. Elania tornou-se dentista.

Ana Carolina Ferreira Jarrouge é casada e tem dois filhos, Eric e Diego.

A Ajofer também tem clientes de outros segmentos, como o de lubrificantes. Com 370 funcionários, a frota da empresa tem 392 veículos.

Desde 2004, Ana faz parte da ComJovem, a Comissão de Jovens Empresários, ligada a entidades do setor de transporte de cargas como o Setcesp e a NTC&Logística. Também aí ocupa um cargo: é vice-coordenadora da ComJovem do Estado de São Paulo.

Quando participa de congressos da ComJovem nacional, ela constata que as mulheres têm participação expressiva nas comissões dos outros estados. “Várias ocupam cargos de coordenação”, observa. No geral, 34% dos membros do ComJovem são mulheres.

Ana tem estado atenta à entrada de operadores logísticos estrangeiros no Brasil, de dois anos para cá. Comenta que a TNT (holandesa) já tinha comprado a Mercúrio e acaba de adquirir a Araçatuba. Para manter a competitividade, a melhor estratégia, segundo ela, é “enxugar a empresa e focar no que é bom, no nicho”, pois a concorrência é acirrada. “Meu pai diz que transporte todo o mundo faz, e não podemos fazer tudo.Temos que escolher uma coisa para fazer e fazer muito bem.” É o que a Ajofer busca no transporte de pneus e seus insumos.

Na visão dela, num futuro próximo ninguém mais vai carregar direto com o embarcador: toda transportadora terá que trabalhar via operador logístico, como subcontratada. Além disso, as exigências da Lei do TRC (11.442) e da Resolução 3.056 da ANTT, que a regulamenta, vão restringir o número de transportadores com condições de brigar. “Mas isso será bom para nós, porque vai separar o joio do trigo”, completa.

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