O que os chineses prometem ao transportador brasileiro

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Na primeira de uma série de duas reportagens, a Carga Pesada mostra o perfil da fabricante chinesa de caminhões Shacman, após a visita de uma comitiva de jornalistas brasileiros a uma planta da empresa, na cidade de Xi’an, cuja capacidade de produção é maior do que a soma dos caminhões fabricados no Brasil por ano

Dilene Antonucci

Pela primeira vez, em 46 anos de existência, a chinesa Shacman convidou jornalistas estrangeiros para conhecerem sua enorme fábrica na cidade de Xi’an, onde são feitos os três modelos de caminhões pesados de sua marca que já estão à venda no Brasil. Seu objetivo: mostrar que se pode confiar nos planos da empresa para o nosso País.

Restou para a Shacman a missão de quebrar o receio dos transportadores quanto aos caminhões chineses depois que a Sinotruk, outra marca chinesa que comercializa caminhões no Brasil desde 2010, teve problemas com a rede de concessionárias e com o fornecimento de peças para reposição.

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Detalhes das linhas de montagem da Shacman e a cabine do modelo X 3000, recém-lançada na China, e que em breve estará no Brasil

A Sinotruk diz que o problema já foi superado, mas a Shacman não quer ser confundida. “Somos outra empresa, não vamos cometer esse erro. Nossa prioridade será garantir a manutenção dos caminhões que forem vendidos no Brasil”, disse o diretor de exportação da Shacman, Li Jian, ao grupo de jornalistas brasileiros na fábrica de Xi’an, que fica a 1.200 quilômetros de Pequim.

O desafio de conquistar os brasileiros com caminhões chineses será encarado pela Metro-Shacman, a empresa brasileira que representa a Shacman. Seu diretor de marketing e comunicação, Reinaldo Vieira, disse durante a visita à China que a expectativa é conquistar 1% do mercado de pesados no Brasil até 2016 (cerca de 1.200 caminhões ao ano).

Com capacidade para produzir 200 mil caminhões por ano, a matriz chinesa tem planos de tornar o Brasil o segundo maior mercado da marca, superando apenas o chinês. Para isso, está prevista a construção de uma fábrica em Tatuí (SP).

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Já existem outras pelo mundo, instaladas na forma de transferência de tecnologia, ou seja, sem investimento direto, no Irã, Sudão, Etiópia, África do Sul, Cazaquistão e Malásia. Nesses países, a Shacman vendeu 95 mil caminhões em 2013.

Para se ter uma ideia do porte da montadora, todas as indústrias brasileiras juntas deverão produzir este ano cerca de 150 mil caminhões. Já a rede de concessionários, na China, não surpreende: são cerca de 200, enquanto no Brasil só a Mercedes-Benz tem uma rede de 250 casas. Mas o número de pontos de apoio para manutenção espalhados pela China é impressionante: 3.500.

Na planta de Xi’an, cidade de oito milhões de habitantes, a Shacman produz caminhões pesados e também veículos militares e off-road (fora de estrada), caminhões médios e leves, ônibus e minivans. Possui também uma fábrica de motores com a marca própria Weichai e outra em joint-venture com a Cummins – estes últimos são os que equipam os caminhões à venda no Brasil.

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A Shacman aproveitou a presença dos jornalistas para mostrar a cabine X 3000, que acaba de ser lançada na China e em breve também vai equipar os caminhões exportados para o Brasil.

A primeira loja brasileira da Shacman foi aberta há um ano, em Sorriso (MT), celeiro do agronegócio. A concessionária é da própria Metro-Shacman e já vendeu cerca de 50 caminhões.

A representação em Minas Gerais e no Espírito Santo foi entregue à rede de postos Faisão. Outras estão previstas, em diferentes regiões do País.

No Brasil, os caminhões Shacman têm preços bem mais em conta que os de outras marcas. O TT 420 6×4 custa R$ 277 mil, o TT 385 6×4, R$ 270 mil, e o TT 385 4×2, R$ 242 mil.

Sinotruk diz que trabalha para melhorar pós-venda

A Sinotruk Brasil admite que enfrentou “gargalos” no fornecimento de peças de reposição para seus caminhões no Brasil, depois que o governo aumentou em 30% a taxação de IPI sobre veículos importados, pouco depois do início de sua operação. Esse aumento “inviabilizou economicamente o negócio de importação de caminhões”, causando o embaraço à empresa, segundo nota assinada por Marcel Wolfart, gerente geral da Sinotruk Brasil.

No entanto, prossegue a nota, a operação de peças “está passando por um processo de reformulação que, em breve, será sentido pelo mercado com a melhora da eficiência nas nossas operações de pós-venda”. Para isso, foi firmada uma parceria com a Cotia Trading, empresa especializada em importação e exportação, “que ficará responsável pela importação e pelo abastecimento pleno do Centro de Distribuição de Peças que a empresa tem no Paraná”.

A nota informa que a Sinotruk tem, no Brasil, uma frota circulante de 2.122 caminhões de seu modelo A7, e continua vendendo caminhões – em janeiro e fevereiro deste ano, foram emplacados 80, de acordo com a Fenabrave.

Também está de pé o projeto de implantação de uma fábrica no Brasil, em Lages (SC), cujo projeto está pronto.

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