Transrefer, nossa “gêmea”

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Empresa mineira começou em 1985. Tem 105 caminhões. Mas seu dono está preocupado com o futuro do TRC

Luciano Alves Pereira

Em janeiro de 1985, quando nascia a Carga Pesada, o mineiro (de Mariana) Raimundo Luiz Fernandes estava prestes a fundar sua Transrefer Transporte e Logística Ltda., em Contagem (MG). Era um jovem que cuidava da filial de uma transportadora baiana, a Rajan, cujo cliente mais importante era a Esab, fabricante de eletrodos para solda.

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Raimundo Fernandes: ao lado do Mercedes 1113, ano 1971. Abaixo, com a frota atual: TRC hoje dá medo

Fernandes viu a oportunidade de iniciar o seu próprio negócio de uma forma que hoje não dá nem para imaginar: começou o transporte das mercadorias fracionadas em dois automóveis Volkswagen! Conquistou a própria Esab. Até que a Transrefer conseguiu comprar sua primeira caminhonete, uma Ford F-4000, substituída (quando o motor fundiu…) por um Mercedes 1113, ano 1971, toco, que está conservado e é guardado de recordação até hoje.

Em 1994, ano do Plano Real, Raimundo consegue uma sócia, a também diretora Maria das Graças Silva. “Foi um suporte definitivo na área administrativa”, diz ele. Hoje, os filhos de Raimundo, Nathalie, Vinicius e Michelle, também integraram o núcleo diretivo da empresa.

Quando todos só tinham olhos para o frete de São Paulo, Raimundo mirava um trecho menos concorrido. Pousou em Goiânia, graças à fidelização do cliente-âncora. Mas em 1997 o mesmo cliente insistiu para a Transrefer pegar os embarques para São Paulo e ela aceitou.

Antes da virada do século, foram abertas filiais no Rio e em Serra (ES). Na virada, a Transrefer começou a puxar medicamentos do polo farmacêutico de Goiás e logo incluiu produtos de higiene. Na mesma época foi construída a sede própria da matriz no Distrito Industrial Riacho das Pedras, em Contagem.9

Ao se aproximar dos 30 anos da Transrefer, em abril, porém, Raimundo muda o discurso. “O ramo do
transporte rodoviário de carga hoje dá medo”, afirma. Refere-se a decisões dos tribunais do trabalho. No entender dos juízes, “o caminhão virou máquina que expõe o operador à insalubridade”. É o combustível na hora de abastecer, é a vibração do motor, até o ruído do vento na janela. As perícias estão tentando clarear o embate, mas, a seu ver, o empresariado tem que estar unido, porque a ameaça “é real”. Raimundo também é presidente do Setcon, entidade classista de Contagem, Betim e cidades próximas.

A Transrefer tem cerca de 300 colaboradores e frota própria de 105 caminhões de diversos portes, além de uma carteira de 500 clientes.

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