Com WiFi, Mercedes faz comboio supereficiente

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Sistema foi apresentado na Alemanha: caminhões conectados via internet, andando juntos, gastam e poluem menos

Dilene Antonucci

Mais de um século depois de lançar o primeiro caminhão da história e dois anos após apresentar seu protótipo de caminhão com direção autônoma, a Mercedes-Benz mostrou no dia 21 de março, em Dusseldorf, na Alemanha, que um comboio de caminhões conectados entre si e à rede mundial de computadores por WiFi pode reduzir sensivelmente o consumo de combustível e as emissões de CO2.

O sistema apresentado propõe usar recursos tecnológicos já disponíveis para aumentar a eficiência do sistema de transporte de cargas. Estima-se que na Europa pelo menos 25% dos caminhões trafeguem vazios ou com pouca carga. Além disso, gasta-se muito tempo nas operações de carga, descarga e em congestionamentos. “O problema é a falta de informações em tempo real. É esta a solução que estamos apresentando aqui: conectividade, a internet do transporte”, resumiu Wolfgang Bernhard, da Daimler Trucks&Buses, durante sua apresentação.

Era a etapa inicial do evento Campus Connectivity, montado em uma antiga metalúrgica nos arredores da cidade alemã de Dusseldorf e acompanhado por jornalistas de 35 países. Além das apresentações iniciais dos principais executivos da montadora, um convidado de honra deu o tom do que viria pela frente: o economista e professor da Universidade da Pensilvânia, Jeremy Rifkin, um dos pensadores mais influentes da atualidade, autor do livro A Terceira Revolução Industrial. Em sua fala, Rifkin ressaltou que “o telefone e o petróleo abriram caminho para a Segunda Revolução Industrial. Agora, as energias limpas e as redes inteligentes serão a base da próxima grande revolução. O que temos aqui hoje é uma promessa da internet da logística desenvolvida pela Daimler”.

COMBOIO – Nos mesmos moldes da apresentação do protótipo do caminhão autônomo, que pode trafegar sem intervenção do motorista, as grandes estrelas do evento foram três Mercedes-Benz Actros totalmente conectados que trafegavam orquestrados em comboio pela rodovia A-52 a caminho do evento.
Antes da entrada no teatro digital montado na antiga metalúrgica, os motoristas interagiram com os apresentadores, por intermédio de câmeras instaladas nas cabines, acionando o modo de direção autônoma, que reduziu a velocidade para a entrada de um automóvel entre eles, ou quando se aproximou o trevo que daria acesso ao local da apresentação.

Foi uma demonstração do que podem proporcionar os 400 sensores instalados em cada caminhão, responsáveis por registrar todo tipo de informação relevante para a operação, atuando em conjunto com um software com nada menos que 130 milhões de linhas de código, mais do que dispõe um avião a jato.
Denominado Highway Pilot Connect, o sistema já é uma realidade e pode atuar em conjunto com a direção semiautônoma rodando em estradas públicas. Por estarem alinhados em comboio, a uma distância de apenas 15 metros entre si – normalmente esta distância seria de 50 metros – a resistência aerodinâmica dos conjuntos, semirreboques com peso bruto total de 40 toneladas, é menor: 2% menos no primeiro caminhão, 11% no segundo e 9% no terceiro. O resultado é uma redução de 7% no consumo de combustível e, consequentemente, nas emissões de CO2.

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Displays mostram aos motoristas de trás o que se passa à frente do primeiro caminhão.

Todo o comboio vê a imagem proporcionada pelo primeiro caminhão no display instalado no painel. Os caminhões rodando próximos, com segurança, ocupam menos espaço na rodovia. A direção autônoma reduz o estresse do motorista, liberando tempo para outras programações da viagem, como a próxima refeição ou onde parar para o descanso.

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A direção é semiautônoma.

Wolfgang Bernhard disse que esse é o resultado de 15 anos de pesquisas em tecnologias de conectividade envolvendo uma equipe de mais de 300 pessoas e investimentos de mais de 500 milhões de euros até 2020. “Estamos conectando o caminhão com a internet – vamos torná-lo o principal elemento de dados da rede de logística. O veículo irá conectar todos os envolvidos com o transporte: motoristas, programadores, frotistas, oficinas, fabricantes e seguradoras ou autoridades. Eles recebem as informações em tempo real: condições do cavalo mecânico e do semirreboque, do trânsito e das condições do tempo, disponibilidade de vagas de estacionamento em postos de serviço das estradas, áreas de descanso e muito mais”, acrescentou.

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Os caminhões mantêm uma distância entre si que só é segura por causa da conexão via internet

A Daimler, grupo que detém a marca Mercedes-Benz, lidera o mercado com 350 mil veículos já interconectados, considerando os sistemas de telemática FleetBoard na Europa, disponível também no mercado brasileiro, e o Detroit Connect, voltado para a América do Norte.

O presidente mundial da Mercedes-Benz Trucks, Stefan Buchner, observou que, quando o primeiro iPhone foi introduzido, em novembro de 2007, os clientes da marca já vinham utilizando o FleetBoard havia sete anos. “Há mais de 15 anos, portanto, eles controlam suas frotas e administram com eficiência seus motoristas, tanto dos caminhões Mercedes-Benz como os de outros fabricantes. Ninguém tem mais experiência nesse campo do que a nossa empresa”, completou.

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