Festa da Mercedes de 60 anos no Brasil

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O protótipo do Future Truck, o caminhão autônomo, que circula sem intervenção do motorista, foi a principal atração das comemorações de aniversário da marca que instalou no Brasil sua primeira fábrica fora da Alemanha, em 1956

Dilene Antonucci

Enquanto uma pessoa ao volante leva 1,4 segundo para reagir diante de um obstáculo, o caminhão com direção autônoma – que pode trafegar sem intervenção do motorista – é três vezes mais rápido, demora apenas 0,4 segundo. Detalhes como este fizeram do Future Truck 2025, o protótipo de caminhão autônomo da Mercedes-Benz, a principal atração das comemorações dos 60 anos de presença da montadora no Brasil, que aconteceram de 28 de abril a 5 de maio

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Ao lado do Future Truck, Stefan Buchner, chefe mundial da Mercedes-Benz Trucks; Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina; e Wolfgang Bernhard, membro do Conselho de Administração da Daimler e responsável pela Daimler Trucks & Buses

Motivos para comemoração não faltam, apesar do momento de crise econômica no Brasil, que tem reflexos na operação da montadora. Queda de vendas à parte, desde a fundação foram mais de dois milhões de veículos produzidos, entre caminhões, ônibus e, agora, também automóveis de luxo da fábrica recém-inaugurada em Iracemápolis (SP). Além disso, a Mercedes-Benz acaba de recuperar a liderança do mercado de caminhões, que havia perdido há alguns anos.

“Há 60 anos nós fazemos a história dos meios de transporte no Brasil”, destacou Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina. “Nós temos veículos de uma a 500 toneladas para todas as necessidades, capazes de transportar uma pessoa – num automóvel – ou até mais de 200 passageiros, num ônibus superarticulado. Ou seja, a Mercedes-Benz tem tudo o que o mercado precisa. A satisfação do cliente é o que nos move.”

Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing da montadora, diz que “a Mercedes-Benz é uma senhora de 60 anos com cabeça de 18”. E explica: “Isso significa que temos muita abertura para criar. Sendo eu o contato da estrada com todo o imenso potencial de engenharia da marca, posso dizer que estamos sempre atentos para ouvir quem compra, quem dirige e quem vende nossos produtos”.

O primeiro caminhão do mundo foi um Mercedes

Sérgio Caldeira

O ano era 1956 e o local escolhido foi um terreno nos arredores de São Paulo, em São Bernardo do Campo. Ali foi erguida a primeira fábrica da Mercedes-Benz fora da Alemanha.

Sessenta anos antes, ou seja, em 1896, a Daimler-Motoren Gesellshaft, fundada em Cannstatt (hoje um bairro de Stuttgard, na Alemanha) apresentava seu primeiro veículo de carga, projetado por Gottlieb Daimler, fundador daquela que viria a ser a Mercedes-Benz.

De fabricante nacional, somente a Ford, no bairro Ipiranga, em São Paulo, montava caminhões no distante 1956, e mesmo assim só com motores a gasolina. Enquanto divulgava as vantagens de seus produtos (chassis para ônibus e caminhões), a Mercedes ia consolidando sua rede de revendedores, hoje vasta, com cerca de 250 casas, sendo a pioneira a Avepe, em Oliveira (MG).

O modelo escolhido para iniciar foi o L312, o famoso “Torpedo”, já equipado com motor diesel de injeção indireta e seis cilindros em linha, quando a maioria dos concorrentes ainda usava gasolina. A inauguração oficial fora em 28 de setembro de 1956.

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Mercedes-Benz L1113: o campeão, com mais de 200 mil caminhões vendidos

Em seguida vieram outros projetos bem-sucedidos de caminhões, como o LP321 na década de 60 (com cabine avançada, mas que não basculava), o L608D (o “Mercedinho”), o L1113 (o campeão, com mais de 200 mil caminhões vendidos), o 1519 (com seu peculiar motor OM-355/5 de cinco cilindros) e o primeiro cavalo mecânico para carretas de três eixos, o LS1924, seguido do L1620 e do LS1935 – este último nos anos de 1990.

Em 1996, com a queda do dólar, a Mercedes decidiu importar seu frontal alemão da linha SK, o 2038S, com motor V8, que já estava sendo substituído pela linha Actros na Europa. Em seguida, lançou o LS1938 4×2, primeiro nacional com sistema eletrônico de injeção e freios a disco nos dois eixos. Seus sucessores, o LS1634 e o Atron LS1635, foram os últimos bicudos, com cabine semiavançada.

A Mercedes é a fabricante mais completa de veículos comerciais, incluindo aí os saudosos ônibus monoblocos de motor traseiro O321, O355, O364, O370, que saíram de linha na virada do século, embora a empresa tenha mantido a oferta de chassis (OF para motor dianteiro e OH para traseiro), de micro-ônibus a superarticulados.

Hoje, o catálogo de vendas da Mercedes no Brasil tem mais de 200 versões de caminhões para todos os tipos de aplicação, com destaque para os modelos Accelo, lançados em 2003, Atego (2004), Axor (2005) e, mais recentemente, o Actros no topo da linha.

De cada 10 veículos de carga da frota nacional, quatro levam a estrela de três pontas na grade, e seis ônibus em cada 10 são MB, lembrou o presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, Philipp Schiemer. Nestes 60 anos, foram produzidos cerca de 1,45 milhão de caminhões de diversas categorias e modelos na fábrica de São Bernardo.

Foram produzidos ainda quase três milhões de motores ao longo destas seis décadas. Hoje, a Mercedes-Benz tem 12 mil empregados no País.

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