Chegaram os simuladores de direção da CNT

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Divulgação Fetcemg

Luciano Alves Pereira

Revista Carga Pesada

 

No total serão 60 conjuntos pelo país. O primeiro de Minas começa a funcionar na unidade operacional de Contagem (MG). Sua inauguração ocorreu no início de dezembro. Houve rápido evento, aberto por Vander Costa, presidente do conselho regional das entidades em Minas. Ele é também o presidente da Fetcemg (federação das empresas de carga do estado), com sede em BH.

O sofisticado e caro equipamento disponibiliza o mesmo nível de eletrônica embarcada dos atuais caminhões e ônibus ofertados pelo mercado nacional. O engenho foi projetado e construído com a mesma plataforma do Mercedes Axor e sua montagem ocorreu na Espanha.  Sua ‘boléia’, conta com painel, coluna regulável, comandos, pedaleira, ruído de motor e até balanço de suspensão. Simula ainda a tocada do câmbio automatizado, atual febre do mercado.

Para Vander Costa, “esse é um projeto inovador de alta tecnologia. O aluno terá a chance de vivenciar em ambiente virtual, situações de risco a que está exposto no dia a dia. Quando ele for trabalhar em um veículo moderno, poderá ter mais facilidade, depois de passar pela capacitação do simulador”. Então, está claro que a máquina de treinamento não é para principiantes. Os alunos precisam ter habilitação nas categorias C, D e E. Visto com mais aprofundamento, o objetivo do rodo-simulador é conferir um super-acabamento à qualificação do condutor de caminhões, articulados e ônibus, uma espécie de pós-graduação ao volante de comerciais de todos os portes.

ESTRANHO/FELIZ  − Nele podem ser simuladas manobras pânicas e meios de controlá-las, com riscos no limite, sem consequências reais, se a condução falhar. O início de operação dessa ‘bancada de testes’ do Sest/Senat coincidiu com o estranho acidente  de um Iveco Stralis 6×2, com semi-reboque de três eixos, próprio para cavalo 4×2. Foi estranho e ao mesmo tempo, um feliz sinistro na BR-356, na chegada de BH, pela Zona Sul. Feliz porque não resultou em feridos graves nem mortos, embora o seu motorista Oséias Alves, perdendo controle do bruto, tenha abalroado 24 veículos menores, parados em um congestionamento. Os carros ficaram em petição de miséria de tão desfigurados. A paralisação ocorreu próxima ao trevo de um shopping e a alegação de Oséias caiu no lugar comum em tais situações: “O freio acabou”. A Polícia Militar do estado verificou que o conjunto não levava excesso de peso – 30 toneladas de vergalhões – e o condutor não havia bebido.

Qual a serventia do treinamento/qualificação em simulador em caso assim? Cabe discussão. O carona do Iveco, Flávio Lopes, testemunha do despencar de ‘morro abaixo’, contou a um jornal local que a “a carreta não estava parando, desde 1 quilômetro atrás e Oséias começou, no desespero, a falar que ia bater”. Terá faltado destreza a Oséias? Por exemplo, engrenar marcha reduzida no segundo final? Nos EUA, a opinião de executivos de tráfego de grandes frotas é a favor do simulador. Ou seja, eles acham que horas na máquina agregam sábia experiência na travessia do virtual para o real. No entanto, pensando bem à frente, vários especialistas – de lá e da Europa também − jogaram a toalha. Acham que as falhas na condução de veículos são inerentes às limitações humanas, como tal, impossíveis de serem zeradas. Convencidos disso, eles propõem o caminhão, ônibus e carro autônomos ou semi. Dotados de um copiloto invisível e sempre alerta, com recursos instantâneos de parar, reequilibrar a escorregadela, a derrapagem, corrigir a distância ao rodante da frente, etc. O caso de Oséias é mais um a dar o que imaginar como será esse futuro.

De agora em diante, os rodo-simuladores passarão a fazer parte dos treinamentos e aperfeiçoamentos da instituição. O projeto Simulador de Direção Sest Senat – Eficiência e Segurança no Trânsito lançou mais uma unidade em Patos de Minas (20 de dezembro). O próximo será em BH e assim seguirá. Dos 60 conjuntos, Minas e São Paulo ficarão com a metade.

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