Entidades do transporte divergem sobre exame toxicológico

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Teste de larga janela de detecção completou um ano de obrigatoriedade em março

 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT), que representa os motoristas empregados, não vê nenhum aspecto positivo no exame. Pelo contrário, tenta derrubá-lo na Justiça por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. Segundo o representante da entidade, Luiz Antonio Festino, a ação está parada no Supremo Tribunal Federal desde a morte do relator, o ministro Teori Zavascki, em janeiro. “Estamos tentando falar com o novo relator, ministro Alexandre Moraes, para ver se ele mantém a proposta de uma audiência pública no Judiciário sobre os exames toxicológicos, que era proposta do ministro Teori.”

POUCOS DÃO POSITIVO – De março a dezembro do ano passado, segundo o Denatran, foram realizados pouco mais de um milhão de exames toxicológicos no Brasil. Somente 16,2 mil, ou 1,56%, deram positivo. Os três Estados do Sul, os quatro do Sudeste, além de Mato Grosso e Goiás respondem por 77% dos exames. No meio do transporte, a exigência do exame é vista com reserva. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo, Tayguara Helou, o exame não cumpre seu objetivo. “Para as empresas, não trouxe o efeito necessário para que possamos encarar o mundo das drogas”, afirma.

Ele defende que as transportadoras deveriam escolher o momento certo para fazer o exame. “O ideal seria ter a aplicação de tal exame nos planos de combate ao uso de bebidas e drogas das empresas, que deveriam ter liberdade para escolher o momento da sua conveniência para utilizar essa metodologia”, declara.

Marcos Egídio Battistella, presidente do Sindicato das Transportadoras do Paraná, diz que “o exame em si é uma coisa boa” e que a entidade é favorável a ele. Mas ressalta que o custo é alto e que a insegurança jurídica das empresas aumentou. “Se o exame dá positivo, nós temos que de alguma forma nos responsabilizar pelo tratamento do motorista. O governo faz as leis e joga a conta no empresário”, critica.

Já o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de São Paulo, Norival Almeida, considera o exame um “mal necessário”. “Mas está havendo muita fraude, com motorista emprestando cabelo para fazer o exame”, afirma. De fato, reportagem da Rádio CBN flagrou em fevereiro uma autoescola de Diadema (SP) vendendo laudo negativo de exame toxicológico por R$ 1 mil. Isso foi amplamente divulgado.

Almeida considera o valor do teste muito alto e diz que a obrigatoriedade está dando uma fortuna para os laboratórios. Estima-se que, no ano passado, eles tenham faturado R$ 300 milhões só aí.

PREÇO EM BAIXA – O biomédico Claudio Sodré, diretor técnico do Laboratório Sodré, de Marília (SP), diz que o preço do exame é alto porque a metodologia utilizada e a logística são caras. “Os laboratórios precisaram fazer investimentos muito grandes”, afirma. Mas ele diz que os preços estão caindo. “Nós começamos cobrando R$ 300 e, em alguns locais, já está R$ 235.” Mas não devemos esperar mais reduções. A tendência, segundo ele, é que estabilize na casa dos R$ 230.

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3 Comentários

  1. só que os poucos que dar positivo e o suficiente para mutilar centenas de inocentes nas estradas Rui para as empresas ótimo para quem usa as estradas brasileiras a final a lei foi a melhor coisa para nós proficionais a pensar dos custos

    • Caro João Gomes, respeito muito seu comentário, porém não posso deixar de incluir minha opinião; Como são mínimos os “motoristas” que fazem uso constante de SPA (substancias psicoativas) Não se pode dizer que é o suficiente para eliminar muitos acidentes como você descreve. Nem sempre os acidentes tem motoristas drogados envolvidos. Agrande maioria de acidentes são provocados por motoristas amadores dirigindo veiculos de pequeno porte. Vejam os números sempre que ocorre um feriado prolongado, caminhões são proibidos de trafegar e os acidentes são inúmeros, portanto não é só motorista profissional que provoca acidentes. Creio que motoristas de veiculos de pequeno porte vão as rodovias após ingerir grandes quantidades de bebidas alcoólicas e drogas em geral. São esse os verdadeiros responsáveis pelo grande numero de acidentes em nossas rodovias, salvo exceções.

  2. O exame não e eficaz no contexto que esta sendo solicitado.Vejamos: não trata-se somente do custo,mas a eficacia do precedimento . Os resultados positivos até agora são de 1,5% de todos os exames realizados em todo o Brasil,para efeitos legais não é possivel determinar que o motorista esta sob efeito da droga no momento da direção como no caso do “bafômetro” , ninguem pode produzir prova contra si mesmo,além das sociedades da área de saúde (conselho federal de medicina,sociedade brasileira de toxicologia,de farmácia e acredite se quiser mas a própria câmara de saúde do CONTRAN aprovaram a implantação do exame.Mais grave ainda : existem 202 paises no mundo e SOMENTE O BRASIL solicita o exame neste contexto.Os outros exigem em caso de acidentes ,em motoristas de empresas.Mais : Acredite ,o exame é coletado aqui e enviado para os Estados Unidos para análise ,porém lá não solicitam o exame neste contexto.
    Observe que não não foi realizado nenhum estudo ou parâmetro para sua implantação.O objetivo é unicamente a arrecadação. Dr. João Luis Pimentel , médico especialista em medicina do tráfego.

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