Espírito Santo cria grupo para combater acidentes no transporte de rochas

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Entre as medidas propostas estão mais fiscalização e atualização da resolução 354

Deixar a rocha solta sobre a carreta é mais seguro. Este mito é responsável por boa parte dos acidentes graves que ocorrem nas estradas brasileiras envolvendo o transporte de rochas ornamentais. Somente no Espírito Santo, Estado onde a atividade é mais intensa, foram 34 mortos em dois acidentes em menos de três meses.

Segundo o engenheiro especializado em transporte, Rubem Penteado de Melo, da TRS Engenharia e Treinamento, de Curitiba, ao amarrar a rocha na carreta, o transportador “puxa o centro da gravidade para baixo” tornando o veículo mais estável. “Ao contrário do que muita gente pensa, quando a rocha segue solta, a probabilidade de o caminhão tombar é maior”, avisa.

Veja em reportagem da TV Globo um motorista justificando por que não amarra a carga.

Outro motivo constante de acidentes, de acordo com Rubem Melo, é o excesso de carga.

Na semana passada, ele esteve no Espírito Santo, a convite do sindicato que representa a indústria de rochas ornamentais, o Sindirochas, para discutir o assunto. Foi criado um grupo de trabalho, envolvendo transportadores, embarcadores, Ministério Público e Polícia Rodoviária, entre outros órgãos, para definir medidas que tragam mais segurança para este segmento de transporte.

Além de mais fiscalização nas estradas, os empresários reivindicam revisão da resolução 354 do Contran, que regulamenta o transporte de rochas. Segundo eles, a resolução dá margens para interpretações diferentes e precisa ficar mais clara. O engenheiro concorda. Para ele, o texto, de 2010, deve ser atualizado.  “Não contempla, por exemplo, o transporte de blocos menores. Também não contempla a necessidade de dormente para apoio do bloco. A resolução precisa melhorar em alguns aspectos, mas sua essência é segura”, declara.

CARRETA

Em sua passagem pelo Espírito Santo, o engenheiro percebeu outra ilegalidade. O transporte de rochas em bitrens de 9 eixos, o que é proibido. Somente o uso de bitrens de 7 eixos está autorizado. “A resolução 354 estabeleceu uma carreta especial para o transporte de rochas. Ela tem um dolly na frente. Mas essa carreta ‘não pegou’. Só vi uma rodando. É uma mosca branca”, compara.

Clique aqui para ver reportagem da TV Vitória sobre o grupo de trabalho.

 

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1 comentário

  1. Infelizmente muitos pensam que estão levando vantagens em carregar o excesso de peso e acabam por destruir o piso asfáltico e vidas por nossas estradas afora. Se a PRF fizesse seu serviço como deveria ser feito, certamente o problema seria minimizado, mas como assistimos todos os dias é mais confortável ficar escondidos atras de árvores e obstáculos para multar por farol desligado durante o dia! Não se vê mais blitzes nas rodovias, não se param quase nada nas barreiras e as irregularidades vão se amontoando. Quando acontece uma apreensão de drogas, armas, e outras ilícitos, são motivo de chamar a imprensa como se isso fosse uma coisa extra natural e não a obrigação da PRF.
    Sou radicalmente contrário ao excesso de peso e não carrego definitivamente. Não quero ganhar dinheiro com a destruição de nossa categoria, ou seja; se eu carrego excesso de peso, além de tirar carga de outro caminhoneiro, ainda danifico o piso e coloco a minha viada e de outros em risco!
    A individualidade é absurda e destrutiva.

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