Planejando a viagem palmo a palmo
3-03-2011
O empresário Francisco Bezerra, da JB Transportes, de Curitiba, dá um exemplo de como pode ser complexo e caro o transporte de cargas especiais. A pedido da reportagem, ele simulou o transporte de uma carga de 19 metros de comprimento, seis metros de largura e 5 metros de altura, pesando 136 t. O pacote da [...]
O empresário Francisco Bezerra, da JB Transportes, de Curitiba, dá um exemplo de como pode ser complexo e caro o transporte de cargas especiais. A pedido da reportagem, ele simulou o transporte de uma carga de 19 metros de comprimento, seis metros de largura e 5 metros de altura, pesando 136 t. O pacote da carga e carreta tem 50 metros de comprimento, 6 de largura e 5,80 de altura, com peso total de 242 toneladas. O trajeto tem 1.150 km, entre Jundiaí (SP) e Porto Alegre (RS).
O itinerário inclui São Paulo, Curitiba, União da Vitória, General Carneiro, Erechim, Passo Fundo e Carazinho. Bezerra diz que a primeira providência é contratar uma empresa de engenharia para realizar a verificação de pontes e viadutos e possíveis obstáculos. Só isso vai custar cerca de R$ 50 mil.
Com o projeto na mão, é necessário requerer AETs: do DNIT, do DER-PR e do DAER-RS (a carga não passará por rodovias estaduais em Santa Catarina). Das três, só a do DNIT pode ser solicitada pela internet.
Mas o problema não está só na burocracia. O custo das AETs, das escoltas e das retiradas de cancelas (nas praças de pedágio sem área de escape para cargas superdimensionadas é elevado (veja quadro nesta página).
Ainda tem o pedágio em si, que vai sair por aproximadamente R$ 6 mil no trajeto todo, pelos 16 eixos da carreta e quatro do caminhão trator.
Somam-se despesas de acompanhamento das companhias de energia elétrica, telefone e TV a cabo em alguns trechos urbanos e o total chega a assombrosos R$ 98.659. Que serão, claro, pagos pelo dono da carga.
Mesmo com custos como esse, o mercado de cargas especiais está muito promissor, afirma Francisco Bezerra. “Temos uma perspectiva de grande crescimento nos próximos cinco anos, mas precisamos de apoio dos órgãos públicos para desburocratizar a liberação dessas cargas e reduzir o Custo Brasil”, completa.
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