Brasília deve tudo ao caminhão

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Mercedes - Club

Nos 50 anos da capital federal, a lembrança dos heroicos
caminhoneiros que levaram materiais para a sua construção

Luciano Alves Pereira

O presidente Juscelino Kubitschek não teria feito Brasília sem o TRC, que começava a engatinhar na década de 1950.

Brasília inteirinha foi levada do Sul e do Sudeste na carroceria de caminhões toco, no máximo truquinhos. Do Nordeste chegou a força de trabalho – em desajeitados paus de arara. Anote-se, também, que havia ferrovia até Anápolis (GO), a 150 km dos canteiros de obra.

Emílio Battistella, fundador do grupo empresarial que leva o seu nome, controlador de várias concessionárias Scania a partir de 1950, foi um forte fornecedor para a construção de Brasília. Num livro de memórias, ele fala de um contrato para entrega de 42 mil dúzias de tábuas de pinho, em apenas 45 dias.

Mas vale registro do ‘causo’ do então caminhoneiro de Belo Horizonte, Edmar Felix da Silva, que testemunhou e engrossou o que Battistella chamou de “um interminável carreiro de formigas”, referindo-se à fileira de caminhões.

O FNM levando madeira do Sul para Brasília, o monobloco O-321 da Mercedes-Benz e o contador de “causos” da ponte, Edmar Félix da Silva

Edmar levava vergalhões, e havia uma precária ponte de madeira sobre o rio Corumbá, em Corumbá de Goiás, a 100 km do destino. Em seu Super White Power, ano 1948, à gasolina, quando ia chegando a vez dele de passar, “um soldado da Polícia Militar de Goiás armado com fuzil avisou que a travessia estava proibida, porque a ponte não aguentaria. E postou-se no meio da ponte”.

Passado algum tempo, fila pra lá de 100, um grupo, que Edmar chama de gaúchos, foi conversar com o soldado. “Pularam nele e lhe tomaram a arma.” E liberaram a ponte.

“Logo um Alfa Romeo novinho, torto sob uma carga de
madeira, derrubou tudo”, prossegue Edmar. O prefeito local apressou solução: mandou uma máquina cavar rampas para permitir a passagem pelo leito do rio, que estava seco.

Edmar percebeu que a rampa da margem oposta era uma “crista bem pesada”. O mineiro tomou coragem, acelerou fundo, primeira seca engatada, zuando e… não conseguiu atravessar.

O eixo cardã ‘torceu como trança de menininha bem-cuidada’, o caminhão ficou no rio. Edmar sacou a peça, foi para Anápolis e só retornou três dias depois. Aí os tais gaúchos já estavam aliviando a carga dos caminhões e conseguindo superar a outra margem.

Edmar não fez carreira na profissão. Virou eletricista. Mas ajudou JK a construir Brasília!

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