Lembranças de um GMC 470 pela serra da Saudade (MG)

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ZF Tecnologias

Luciano Alves Pereira

Revista Carga Pesada

 

Todo o TRC sabe, a lendária Empresa de Transportes Minas-Goiás foi desativada definitivamente em 2014. Fundada em Goiânia em 1948, transferiu-se para Belo Horizonte em 1953. Nas décadas de 1960/1970, tornou-se uma das maiores do país na carga fracionada. Foi encerrada aos 66 anos. Depois de tanta estrada, seus registros jamais se apagarão da lembrança dos que se relacionaram com a transportadora. Seja empregado, agregado ou não.

GMC LUCIANO

GMC foi um dos sonhos dos estradeiros pré-Era JK, ainda na foto, Paulo e Durval (falecido), ladeando o gerente da filial de Uberlândia

Paulo Nonaka, hoje comerciante em Contagem (MG), por exemplo, lembra-se dos tempos em que tocava um GMC 470, ano 1952 (a gasolina), da filial da Uberlândia (MG) a BH.

Entre 1955 e 1958, rodava imponente com calotas, grade e estribos cromados, para-sol e buzina a ar. Não se esquecendo do símbolo alado na testa do capô. O gerente da Casa pediu para que identificasse o caminhão com a logomarca da empresa.

O proprietário – Durval (Dindim), cunhado de Paulo – concordou. O país vivia o auge da Era JK. Já havia asfalto para vários destinos, mas a ligação com o Triângulo Mineiro (BR-34, hoje 262) só seria concluída em 1968, pelas mãos dos militares.

O roteiro de terra era pela sempre lembrada serra da Saudade. Começava no seu pé, distrito de Melo Vianna (hoje, o município tem o nome da serra), até chegar em São Gotardo, no Alto Paranaíba. O GMC tinha freios a ar e com sete toneladas na carroceria, pedia primeira reduzida em boa parte da subida. Paulo lembra que “era estreita, onde se viam muitas cruzes nas suas margens, registrando acidentes fatais”. Os ‘ alertas’, porém, não o assustavam porque já havia adquirido boa experiência com ônibus Volvo, ano 1953, de motor central e câmbio automático. O coletivo pertencia à Viação São Cristóvão e atuava no serviço urbano de BH. Paulo diz que gostava da vida estradeira e uma de suas cargas era algodão em rama, de Uberlândia para Corinto, no norte do estado. Ele é testemunha viva de como foi preciso destemor para dar começo ao TRC brasileiro. Não faltou ao veterano, a menção dos primeiros Alfa Romeo (FNM), “tudo no toco ainda”.

 

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