Engenheiro orienta para uso correto de cavalo e implemento

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Por incrível que pareça, ainda há muito transportador cometendo erros básicos na combinação cavalo-trator e carreta. Cavalo 6×2 exige um tipo de implemento específico, assim como o 4×2. Não adianta alegar desconhecimento. Quem descumpre a legislação é multado.
“Em muitas empresas, temos observado que é prática comum a utilização de carreta fabricada para um tipo de cavalo-mecânico engatada em outro tipo”,afirma o engenheiro mecânico Rubem Penteado de Melo, da TRS Engenharia, de Curitiba.


revista carga pesada uso correto do implementoEle conta que quando questiona o frotista a respeito das combinações ilegais, a justificativa é sempre a mesma: “Essa carreta tem duas posições de pino-rei e engata em qualquer tipo de caminhão-trator” A resposta do engenheiro também não muda: “Pode até engatar, mas não distribuirá o peso corretamente.”
A carreta para cavalo “toco” (4×2), conforme explica ele, tem o balanço traseiro maior porque precisa transferir menos peso para o trator. O “rabo” dela é mais longo. “Já a carreta para cavalo “trucado” (6×2), a LS, tem o balanço traseiro menor, porque precisa transferir mais peso para o trator”, afirma. Por isso, a suspensão da LS é mais para trás. “O ‘rabo’ dela é mais curto”, diz Melo.


Mas o erro não é apenas do transportador. Algumas fábricas de carretas deixam a suspensão na posição intermediária e as classificam como multiuso. “Na verdade, não estão corretas nem para um nem para outro tipo de trator”, ressalta. Para ser multiuso de fato, de acordo com o engenheiro, além de trocar o pino-rei de posição, seria necessário deslocar a suspensão de uma posição para outra. “Em outros países isso é comum e a suspensão chama-se sliding ou deslizante. Mas, no Brasil, não temos esse modelo”, informa.

O cavalo-mecânico é do tipo 6x2 (3 eixos), mas a carreta é para cavalo 4x2 (toco), facilmente observado pelo tamanho do balanço traseiro

O cavalo-mecânico é do tipo 6×2 (3 eixos), mas a carreta é para cavalo 4×2 (toco), facilmente observado pelo tamanho do balanço traseiro


Deste modo, segundo Melo, para uso da lotação máxima, uma carreta fabricada para cavalo 4×2 só deve ser engatada em cavalo 4×2. E a 6×2 só deve ser usada com o cavalo 6×2. “Se o embarcador desavisadamente carregar esse conjunto com a lotação máxima para o PBTC (peso bruto total combinado) do conjunto normal de 6 eixos (48.500 kg de peso bruto), ocorrerá excesso nos eixos da carreta (e falta de carga no trator). Pode até engatar, mas tem que readequar a distribuição da carga”, explica.

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8×2 também tem sua carreta

Rubem Penteado de Melo ressalta que os cavalos 8×2 também exigem carreta própria. Eles não podem tracionar a tradicional LS. “Os eixos da carreta (do 8×2) ficam mais para trás, de forma que o peso é jogado para o cavalo. Se o transportador não usar o implemento correto, vai ter problema na balança, por excesso de peso nos eixos”, alega.

Comparação entre a carreta 8x2 (em primeiro plano, com os eixos mais para trás) e a LS

Comparação entre a carreta 8×2 (em primeiro plano, com os eixos mais para trás) e a LS

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3 Comentários

  1. Ola Cleber. Sugiro sempre consultar o fabricante da carreta. Vai de depender do balanço dianteiro (distância do pino-rei até a frente da carreta). Se for 80 cm de balanço dianteiro (o mais comum), o balanço traseiro (do último eixo da carreta até a traseira) fica normalmente entre 1,4 metros e 1,5 metros.

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