Número de acidentes envolvendo caminhões cai 38%

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DAF - XF105

Nelson Bortolin

Revista Carga Pesada

 

De março a julho deste ano, o número de acidentes envolvendo caminhões nas estradas federais do Brasil caiu 38%, de 18.008 para 11.191. A comparação é com o mesmo período de 2015. As mortes foram de 253 para 211 (-16%). E a quantidade de feridos graves baixou de 596 para 533 (-10%). As informações foram repassadas pela assessoria de comunicação da Polícia Rodoviária Feral (PRF).

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Fonte: PRF

Quando a Carga Pesada solicitou os dados à PRF, o objetivo era saber se a lei do exame toxicológico, que começou a vigorar dia 2 de março, teria surtido efeito de reduzir as ocorrências. Mas não foi possível confirmar a relação entre uma coisa e outra. Neste ano, o tráfego de caminhões pelo País diminuiu, o que pode explicar um número menor de acidentes.

Segundo a Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), de janeiro a julho deste ano, o fluxo de veículos pesados caiu 5,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. A informação vale para as rodovias concedidas.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) retomou o Plano Nacional de Contagem de Tráfego (PNCT) em 2014. Ele havia sido interrompido em 2001. Recentemente, foram divulgados os primeiros resultados. Mas, nem sempre, o período de contagem de um ano coincide com o do outro, dificultando a comparação.  Pelo site do órgão, a reportagem conseguiu identificar reduções de tráfego de veículos pesadas que vão de 6% a 22% entre janeiro deste ano e janeiro do ano passado e março deste ano e março do ano passado.

A maior queda foi no km 561 da BR 262 em Mato Grosso do Sul. Ali, a média diária de caminhões e ônibus caiu de 561 para 262 (-22,3%). Na 116, km 56, em São Paulo, a média foi de 12.236 para 9.561 (-21,8%); na 376, km 19, no Paraná, de 2.671 para 2.435 (-8,8%). E em Goiás (BR 020, km 13), saiu de 2.223 para 2.087 (-6,1%).

Em entrevista à Carga Pesada, o assessor de comunicação da PRF, Diego Brandão, afirma que não tem como relacionar a redução de acidentes com os exames toxicológicos. “A competência da perícia dos acidentes não é nossa. Não tínhamos o universo anterior (de constatação de uso de drogas pelos motoristas) e não temos o de agora. Ficamos extremamente felizes com os números e só podemos imputá-los ao aperfeiçoamento da fiscalização”, declara.   Brandão também considera que a evolução na engenharia dos caminhões vem ajudando a diminuir o número de acidentes.

“Eu não acho que esta redução de acidentes esteja relacionada com o exame toxicológico porque ele está em vigor há muito pouco tempo. O mais provável é que seja devido à redução do tráfego. Sabemos que o volume de carga transportada no País caiu 30%”, ressalta Tayguara Helou, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp). De acordo com ele, o tráfego de caminhões não cai na mesma proporção. Ele estima uma redução de, no máximo, 15%.

O empresário apoia a exigência do exame toxicológico bem como a lei que exige farol aceso nas rodovias. Ele acredita que ambas irão ajudar a reduzir os acidentes. “Mas ainda é prematuro falar em números”, declara. Segundo Helou, nos Estados Unidos, quando entrou em vigor, a lei dos faróis reduziu em 5% o número geral de acidentes e em 12% o de atropelamento.

Outro que não vê relação, pelo menos por enquanto, entre queda de acidentes e o exame toxicológico é o diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior. “Não dá para fazer uma avaliação. É muito cedo. Não acredito que haja relação entre a queda de acidentes e o exame toxicológico”, ressalta.

Já o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de São Paulo (Sindicam), Norival Almeida, tem certeza que a queda dos acidentes é resultado da redução do tráfego de caminhões. Ele estima que, de 360 mil caminhões de autônomos em São Paulo, 150 mil (41%) estejam parados ou fazendo pouquíssimas viagens. “Todo dia escuto caminhoneiro falando que não estão fazendo mais viagens longas. Com a crise, as empresas passaram a buscar cargas mais perto de suas sedes”, afirma.

1,36% dos exames toxicológicos têm resultados positivos

Scania - Consorcio
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