Montadoras são contra liberação de 6×2 para bitrens

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Daf - 90 anos

 Executivos dizem que tração 6×4 traz mais segurança e poupa o pavimento

 Nelson Bortolin

 A proposta de liberar o uso de cavalos 6×2 para tracionarem bitrens de 7 eixos, que consta do projeto de lei do Marco Regulatório do Transporte Rodoviário de Carga (TRC) aprovado na Câmara dos Deputados, não conta com o apoio das montadoras. Elas alegam que o 6×4 é a configuração ideal para este tipo de implemento, tanto do ponto de vista da segurança como de proteção do pavimento.

Para o gerente de Desenvolvimento de Negócios da Scania, Celso Mendonça (foto), a decisão de exigir tração 6×4 para tracionamento de bitrens foi técnica, leva em conta questões de segurança e manutenção do pavimento. “Foi baseada em estudos que concluíram que o melhor é a versão 6×4. Já a defesa da volta do 6×2 está sendo baseada em coisa nenhuma. Esse é um assunto que merece mais atenção, levando-se em consideração todos os aspectos técnicos”, afirma.

Ele ressalta que os caminhões estão cada vez mais potentes, com velocidades médias mais altas. A volta do 6×2 para bitrens, poderia contribuir para expor os cidadãos que estão na pista a acidentes.” Mendonça lembra que na versão 6×2 há menos eixos freando no conjunto. E que é possível levantar três eixos. Ou seja, são menos eixos para “ajudar a segurar o veículo no solo”.

O diretor comercial de caminhões da Volvo no Brasil, Bernardo Fedalto (foto), também é contra a volta dos 6×2.  “Não vemos com bons olhos. A regulamentação do cavalo 6×4 foi uma evolução do ponto de vista de segurança e manutenção do pavimento.”

Ele ressalta que a configuração com quatro pontos tracionando o veículo oferece mais segurança e menos impacto ao asfalto.  “Essa medida (proposta no marco regulatório) não tem uma argumentação técnica, uma base que justifique a mudança, não traz benefícios”, declara.

Para o diretor comercial da DAF, Luís Antonio Gambim (foto), liberar o 6×2 no bitrem seria um “retrocesso”. “Somos contra por motivos de segurança. E também não temos dúvida de que o 6×2 no bitrem é ruim para o pavimento. Temos de levar em conta a qualidade ruim do piso que temos no Brasil, nossa infraestrutura deficitária”, afirma. Para o executivo, a medida poderá ter impacto no Custo Brasil, ao aumentar gastos com manutenção de estradas. “Aí todo mundo sai perdendo”, avalia.

Desde janeiro de 2011, por força das resoluções 210 e 326 do Contran, os bitrens de 7 eixos precisam de tração 6×4 para rodar. Os conjuntos registrados até então podem continuar trafegando na versão 6×2.

A reportagem procurou a associação que representa as implementadoras, a Anfir, para comentar o assunto. Mas, por meio da assessoria, a entidade diz que “não se posiciona a respeito de legislação em discussão”. “Temos certeza que a decisão final contemplará todos os aspectos da segurança veicular”, diz a nota enviada à Carga Pesada.

A entidade que representa as montadora, a Anfavea, também não concedeu entrevista. “No momento não conseguimos participar com entrevista desta pauta”, respondeu a assessoria.

O projeto do marco regulatório foi aprovado na Câmara, mas ainda será votado no Senado, antes de ir para sanção presidencial.

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2 Comentários

  1. Edison Reus Silveira em..

    Até 7 eixos não é necessário a configuração 6X4, onde a alegação de maior segurança não se justifica, o maior número de engrenagens e peças móveis, provocam aumento no consumo de combustível, além do maior custo de aquisição e manutenção, também a mauiria das montadoras utiliza o segundo eixo de tração sem a opção de levante.
    Quanto a segurança, atualmente os caminhões são equipados com ABS, ASR, EBD e ESP, conferindo o mesmo nível de segurança indiferentemente da configuração de eixos.

    • Ola Edison.
      A questão de segurança está ligado ao fato do 6×2 possuir freio motor em apena 1 eixos e o 6×4 nos 2 eixos de tração. Nenhuma tecnologia que vc citou resolve isso. E o dano no pavimento está no fato de que com tração em 1 eixo apenas, o caminhão-trator com 57 tons de PBTC, patina na troca de marcha em aclives especialmente, empurrando o asfalto para o lado.

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