Baterias são gargalo para uso de veículos elétricos

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Scania - NTG Linha

Alto custo, peso e baixa autonomia dificultam ganho de escala

Poucos dias depois da Ambev anunciar a intenção de compra de 1.600 leves elétricos e-Delivery da Volkswagen para transporte de bebidas, a Mercedes-Benz reuniu a imprensa para dar sua visão sobre esta tecnologia que será um dos destaques do Salão Internacional do Transporte, o IAA, que acontece em Hannover, na Alemanha.

Pioneiro em veículos comerciais elétricos, o Grupo Daimler, dono da marca Mercedes-Benz, acumula uma vasta experiência nessa área. Em 2010, foi apresentado o protótipo do caminhão leve FUSO eCanter, produzido pela subsidiária do grupo no Japão. Em 2017, ele chegou ao mercado e foi lançada a nova marca E-FUSO.

e-Delivery começa a integrar frota da Ambev, que quer ter 1.600 elétricos até 2023

Em 2016, foi apresentado o protótipo do eActros, primeiro pesado elétrico da Mercedes-Benz para distribuição. Em 2018, uma frota de eActros iniciou operação em clientes selecionados na Alemanha e na Suíça, com os quais espera-se conhecer profundamente o comportamento dos veículos sob condições reais de uso.

Um grande desafio da propulsão elétrica é o armazenamento eficiente de energia. Para se ter uma ideia, a energia armazenada em um caminhão extrapesado eActros corresponde a mais de 61.500 pilhas AA para uma autonomia de 200 km. “Comparando-se sistemas de propulsão elétrica e motor diesel, as baterias são 25 vezes mais pesadas e precisam de 16 vezes mais espaço”, explica Marcos Andrade, gerente de Produto Caminhão da Mercedes-Benz. “Já o consumo de um eActros rodando cerca de 200 km por dia corresponde ao de 38 residências no Brasil.”

“Quando os clientes pedirem e o mercado estiver suficientemente maduro para operar com caminhões e ônibus elétricos e autônomos, nós estaremos prontos para atender todas as suas demandas, com produtos e serviços que assegurem eficiência, produtividade, custo operacional adequado e a rentabilidade desejada”, diz Roberto Leoncini, vice-presidente de Vendas e Marketing da Mercedes-Benz.

“O Grupo Daimler acredita que, a partir de 2019, poderá aumentar progressivamente a oferta de caminhões e ônibus elétricos, visando altos volumes por volta de 2021”, avalia Leoncini.

VOLKSWAGEN – A Cervejaria Ambev, dona de marcas como Skol, Brahma, Antarctica e Guaraná, anunciou no último mês de agosto que, até 2023, irá passar a utilizar 1.600 caminhões elétricos da Volkswagen Caminhões e Ônibus no transporte de bebidas. Com isso, cerca de 35% da frota que atende a cervejaria será composta por veículos movidos a energia limpa, deixando de emitir mais de 30,4 mil toneladas de carbono em sua cadeia logística por ano.

O primeiro caminhão a integrar essa frota será o VW e-Delivery, apresentado no último salão do transporte, Fenatran, em 2017. Desenvolvido no Brasil, o veículo traz soluções de última geração para logística verde, como sistemas inteligentes para ajustar a demanda da bateria conforme a operação e para recuperar a energia da frenagem. Os caminhões podem chegar a uma autonomia de até 200 quilômetros, de acordo com a aplicação. O nível de ruído é extremamente baixo quando comparado aos modelos tradicionais, melhorando o conforto do motorista e seus ajudantes na operação.

“Estamos sempre buscando parceiros engajados nas mesmas causas, como a Volkswagen Caminhões e Ônibus, para prover novas tecnologias e processos que tenham um impacto positivo no meio ambiente”, afirma Guilherme Gaia, diretor de logística e suprimentos da Cervejaria Ambev.

“Nosso centro mundial de desenvolvimento da Volkswagen Caminhões e Ônibus, localizado no Brasil, investigou e aplicou as melhores soluções mundiais e locais disponíveis para atender às necessidades de nossos clientes em veículos de baixas emissões em países emergentes”, destaca Roberto Cortes, presidente e CEO da VW Caminhões e Ônibus, fabricante das marcas Volkswagen Caminhões e Ônibus e MAN.

 
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