Transporte de passageiros será desregulamentado

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Scania - Serviço Premiado - 25-04-18

A partir de junho de 2019, o setor de transporte rodoviário de passageiros vai funcionar em regime de liberdade tarifária. E também, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), não haverá mais limite para o número de autorizações dos serviços regulares interestadual e internacional. Ou seja, o governo não vai mais controlar o reajuste das tarifas e nem decidir qual empresa fará determinado trecho.

Estefano Boiko Junior, vice-presidente do grupo GBS – que detém as viações Brasil Sul e Garcia – considera a mudança positiva. “A tendência é que o mercado fique ainda mais concorrido. E nós já estamos preparados para isso, mantendo baixos o endividamento das empresas e o custo, além de cuidar da qualidade no atendimento”, afirma.

Boiko Junior avalia que controlar os custos é o grande desafio no novo cenário. “O controle tem de ser feito todos os dias, tem de estar arraigado na mente dos funcionários, fazer parte da cultura da empresa”, alega. Para ele, um mercado mais concorrido faz com que o “cliente ganhe e a empresa também, porque precisa primar pela qualidade. As boas empresas ficarão”.

O presidente, José Boiko, diz que o grupo investe pesado em treinamento de direção econômica dos motoristas. E que eles são premiados de acordo com os resultados. “Houve meses em que reduzimos o consumo em cerca de 80 mil litros só com treinamento de pessoal. A cada três meses, os motoristas recebem prêmios por economia”, conta.

Estefano e José Boiko: “A tendência é que o mercado fique ainda mais concorrido. E nós já estamos preparados para isso”

O diretor da Viação Unida, Fernando Mansur, tem opinião diferente. Para ele, a desregulamentação é “péssima” para o setor. “Mas uma regulamentação que protege só as grandes também não é boa. Tem que haver um equilíbrio”, declara. Segundo Mansur, o governo deveria proteger as empresas regionais.

Para ele, a atividade de transporte rodoviário de passageiros está em fase de encolhimento. “Mudanças virão e só quem já estiver dentro terá oportunidades”, avalia. Mas não é possível garantir que todas as empresas vão permanecer. Segundo o empresário, a perspectiva de abertura do mercado é preocupante devido ao poder econômico das maiores viações.

Clientes   Mercedes-Benz

Carga Pesada conversou com os diretores do Grupo GBS e da Viação Unida durante a Lat.Bus & Transpúblico 2018, evento realizado no final de julho em São Paulo. Ambas as empresas são clientes Mercedes-Benz/Marcopolo.

Com 70 novos ônibus adquiridos neste ano, a Viação Garcia, que tem sede em Londrina, passou a ter uma frota com idade média de seis meses. Quando foi adquirida pelo grupo GBS, em fevereiro de 2014, a empresa tinha veículos de todas as marcas. E aos poucos foi padronizando a frota na Mercedes-Benz, com chassis Marcopolo, assim como a Brasil Sul, outra companhia do GBS, que ao todo tem 800 ônibus.

“Quando compramos nossos carros, a gente pensa primeiro em segurança e a Mercedes-Benz vem evoluindo muito neste aspecto”, afirma o presidente José Boiko. Ele conta que a Garcia também observa com atenção atributos como suspensão, motorização e dirigibilidade. “Em todos esses aspectos a Mercedes avançou”, garante.

Manter uma frota sempre atualizada é preocupação diária na empresa. “Um diretor da ANTT nos disse que a nossa idade média da frota deve ser a menor do mundo, excluindo os ônibus de reserva e de turismo”, ressalta.

De acordo com ele, a empresa também é uma das poucas que só usam pneus novos. “São todos de primeira linha, Michelin ou Goodyear. Não usamos recapados porque o recape solta e estoura toda a suspensão do ônibus, que fica no meio do caminho”, conta.

O grupo mantém linhas regulares no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

UNIDA – Hoje, com 130 ônibus, a Unida faz linhas intermunicipais na Zona da Mata e entre aquela região e o Rio de Janeiro. A frota é predominantemente da marca Mercedes-Benz. “Escolhemos a Mercedes porque é a que tem melhor infraestrutura para atender na nossa região. Pelo grupo Minasmáquinas, temos mais facilidade de mão de obra e reposição de peças”, conta o diretor Fernando Mansur.

Para Fernando Mansur, a perspectiva de abertura do mercado é preocupante devido ao poder econômico das maiores viações

A participação no evento, segundo ele, é importante para “renovar os pensamentos”, fazer contato com as pessoas do setor e saber quais são as perspectivas para o futuro. O empresário ressalta que a Unida é um legado deixado pelo fundador, João Mansur, que viveu até 92 anos. “Meu pai dizia que a única coisa que ele sabia fazer na vida era mexer com ônibus. Eu, hoje com 61 anos, falo a mesma coisa. Digo para meus filhos que não vou deixar uma herança, porque a empresa é um legado.”

A Viação Unida é uma das empresas de transporte rodoviário de passageiros mais antigas do País. Foi aberta em 1934. Aos 16 anos de idade, João Mansur comprou o primeiro ônibus e deu início a uma linha ligando Chácara (MG) a Juiz de Fora (MG). Atuava como motorista, cobrador e mecânico ao mesmo tempo.

Scania - Serviço Premiado - 25-04-18
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