Otimismo pós-eleitoral

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Daf - 90 anos

Presidente do Setcesp acredita que Bolsonaro vai valorizar a iniciativa privada e os empresários

Nelson Bortolin

As eleições deste ano renovaram as expectativas dos transportadores. Eles acreditam que o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro os (PSL) será capaz de destravar o desenvolvimento econômico do País. A Carga Pesada conversou com empresários e caminhoneiros, que afirmam acreditar na valorização da iniciativa privada e da categoria pelo capitão reformado.

Um deles é o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Estado de São Paulo (Setcesp), Tayguara Helou. “O pessoal está dizendo que o Brasil vai dar certo, que o Brasil está mudando. Para mim, o Brasil já deu certo, já mudou”, afirma.

Além de Bolsonaro, o empresário ressalta a renovação do Legislativo. “Foram eleitas pessoas que estiveram na iniciativa privada e conhecem o funcionamento das empresas e do mercado”, alega.

A grande expectativa do presidente do Setcesp é que seja feito um processo de desburocratização do País, com redução de leis e normas que emperram a realização de negócios.  “Espero que ocorra imediatamente uma grande redução de normas tributárias e fiscais. É um absurdo que nossas empresas precisem contar com departamentos contábeis tão grandes só porque, a cada minuto, surge uma nova norma”, critica. Ele cita um exemplo do setor de transporte. “Hoje, os transportadores de produtos químicos precisam de uma licença nacional para operar. Precisam também de licenças estaduais. Se não me engano são 12 dessas licenças, e ainda têm de obter uma licença municipal para operar em São Paulo. É preciso resolver isso, com uma certificação eletrônica única nacional”, sugere.

De acordo com Helou, o empresário brasileiro “gasta de 45% a 55%” do seu tempo resolvendo problemas burocrático. “Imagine se usasse esse tempo para inovar e ampliar negócios.”

INDÚSTRIA

Helou também espera que o próximo governo consiga reposicionar o Brasil no cenário mundial, com o desenvolvimento da indústria.

“Hoje, temos um sistema em que a matéria-prima sai da América do Sul ou do Sul da África, dá uma volta enorme até os Tigres Asiáticos, onde é transformada e faz o caminho  de volta para os maiores mercados consumidores, que são América do Norte e Europa”, explica. Para ele, o Brasil tem um “posicionamento geográfico e logístico”, que poderia atender de forma mais eficaz esses mercados consumidores. “Temos a matéria-prima, a mão de obra, e proximidade desses mercados. Imagine se o Brasil fosse industrializado da forma correta, com um parque industrial moderno e inovador.”

CARGA TRIBUTÁRIA

O presidente do Setcesp não se ilude quanto à redução imediata da carga tributária. Para ele, isso só ocorrerá com a diminuição da máquina pública. “E não estou falando meramente de diminuir o número de ministérios, mas de fazer uma gestão pública mais eficiente, como nas empresas, com orçamento rígido e controle de despesas.”

TABELA DE FRETE

Para Tayguara Helou, o novo governo deverá manter a atual política de ajuste no preço do diesel, a cada 30 dias, e não voltar ao sistema anterior, quando as flutuações ocorriam praticamente todos os dias.

Em relação à tabela de frete, sobre a qual diz “não ser contra nem a favor”, o empresário defende a necessidade de ajustes. “Há problemas de aplicabilidade, de cálculos e conceito. Você pega a tabela de carga perigosa e ela é mais barata que a de carga geral, o que não faz sentido. Outro problema é que, quando você calcula um frete de 100 km, você tem um valor x, mas se for de 101 km, você tem um valor menor”, critica.

Helou defende um sistema diferente, levando em consideração que, ao operar com fretes muito baixos, o transportador não consegue fazer a manutenção correta de sua frota, aumentando o risco de acidentes e ambientais para toda a sociedade. “Minha proposta é que a partir da elaboração de preços mínimos, todo operador que queira trabalhar com valores abaixo da tabela assuma 100% a responsabilidade de atuar com esta postura”, ressalta.

O empresário defende ainda que as tabelas mínimas devem levar em conta o modelo e marca do veículo. “Um caminhão não tem o mesmo desempenho que outro. Como não temos milhares de montadoras, não é impossível fazer essas tabelas específicas”, alega.

Daf - 90 anos
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2 Comentários

  1. Agora quero ver caminhoneiro fazer greve quando o governo de Bolsonaro assumir. Penso que passaremos por dificuldades nessa área, ele está comprometido como “mercado” e não com pessoas.
    Desejo francamente estar enganado e me surpreender com esse novo governo, pois as declarações de seu super ministro da economia já está mostrando as unhas.

  2. Pode acreditar que com ele nos temos a liberdade de negociar ele não apoia propineiro e muito menos corruptos isto tu pode ter serteza com ele trabalhador vai ter valor blz

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