Com aplicativos de frete, caminhoneiro perdeu poder de barganha

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Ex-líder da categoria e assessor no governo federal, Fábio Roque diz que tecnologia favoreceu contratantes do serviço de transporte

Os aplicativos transferiram o poder de barganha na negociação do frete do caminhoneiro para os contratantes de transporte. Antes, quem precisava do serviço tinha de correr atrás dos motoristas espalhados pelas estradas de todo o País. Hoje, a distância entre quem contrata e quem executa o transporte é de apenas um clique, o que transformou a negociação do frete em um verdadeiro leilão. O caminhoneiro que cobrar menos leva.

Esse é o raciocínio do gaúcho Fábio Roque, ex-líder caminhoneiro que hoje atua como assessor na Secretária Nacional de Inclusão Produtiva e Urbana do Ministério da Cidadania. “Antigamente, o caminhoneiro viajava dois ou três dias até seu destino, aguardava a descarga e tinha de sair em busca de novo frete para voltar para casa. Não havia celular e ele usava ficha telefônica para tentar achar carga. Muitas vezes o orelhão não funcionava e a viagem de volta atrasava”, recorda Roque. Embarcadores e agenciadores montavam escritórios nos postos de rodovia para atender o caminhoneiro.

A distância em relação ao motorista obrigava o contratante a oferecer valores mais atrativos para o frete. “A transportadora passava a carga para três ou quatro agenciadores que tinham sede nos postos de beira de estrada. Em alguns casos, entrava mais uma figura, a dos chapas. Eram pessoas que faziam serviços de descarga e tinham como bico arrumar carga para caminhoneiros”, conta. No final da linha, o motorista tinha mais força para negociar o frete.

Com a chegada dos aplicativos, tudo mudou. “Embarcadoras, transportadoras e agenciadores publicam suas cargas na rede e quem corre atrás delas é o caminhoneiro. Em fração de segundos, uma mesma carga é compartilhada por 20 mil caminhoneiros”, ressalta.  O motorista perdeu o poder de barganha.

Os aplicativos, segundo Roque, também desmotivaram as empresas de transporte a manterem frota. “Aumentou a subcontratação de caminhoneiros autônomos e empresas de pequeno porte devido à facilidade de conexão com o motorista. Até mesmo os antigos chapas se tornaram ‘empreendedores’ adquirindo notebooks para intermediar a carga”, alega.

Até ganharam o apelido de “transsovaco”, pois não têm escritório, nem funcionário, não pagam aluguel, nem imposto. Com um computador embaixo do braço, diz o gaúcho, levam uma fatia do rendimento do caminhoneiro, que precisa comprar veículo, dar manutenção, pagar seguro, ficar sujeito a multa e rodar 16 horas por dia.

Por isso, Roque defende a necessidade do piso mínimo de frete. “É uma medida social para o transporte rodoviário de cargas”. As tabelas, lembra o assessor, foram uma reivindicação dos caminhoneiros atendida pelo governo na greve de maio do ano passado. Assim que o piso mínimo foi implantado, a categoria “sentiu o gosto de trabalhar com rentabilidade, começou a dar manutenção no caminhão, comprar pneus novos e até diminuir o ritmo das viagens”.

Mas a alegria durou pouco.  Embarcadores e transportadoras iniciaram uma guerra jurídica contra a lei 13.703, que estabeleceu as tabelas. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não está fazendo o papel fiscalizador, alegando falta de estrutura e de pessoal. “Isso vem causando um desconforto na categoria, que se sente enganada pelo governo”

De acordo com Roque, há relatos de caminhoneiros que já apontam para uma nova greve. “A categoria apoiou o candidato Jair Bolsonaro e está se sentindo abondada pelo governo dele.” A Petrobras voltou a praticar a política de preços internacionais e o valor do diesel não para de oscilar. “Há quem diga que a situação está pior do que antes da greve.”

O assessor diz que ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, tem buscado soluções para o problema, mas o risco de paralisação é real.

 

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23 Comentários

  1. Bom dia Excelentíssimo Jair Bolsonaro, venho aqui pedir pela categoria dos caminhoneiros autônomos, uma atenção por qual as autoridades do setor não estar tendo, pedindo que haja uma decisão sob esse piso mínimo, pois tem que ser fiscalizado com rigor, de preferência pela PRF e postos fiscais da divisa de estados. Sr Jair Bolsonaro sei que gosta de ordem e progresso, pois nós precisamos disso, obg

  2. Celso Rodrigues em..

    O fretebras e uma vergonha nacional, não existe tabela,quem faz os fretes,são as transportadoras,para os autonomos,sobra só o resto,desse geito não vão aguenta mas um ano.

  3. Frete é lei da oferta e procura se o frete é baixo só não carregar simples assim…o frete Brás ajuda o autônomo q maioria das vezes os agenciadores ficam com a parte maior do lucro tem é q acabar com estes tipos de agenciadores sou de Maringá e Aki tem vários safados q corrompem a classe .

  4. Francisco Perazzo em..

    Tem de parar já, hoje (20/03) vi uma postagem no instagram do Presidente que já começa a lavar as mãos, apesar de ser verdade que o ICMS é um dos encargos mais absurdo dos estados, mas ele como Presidente tem de enfrentar essa crise junto com os estados e resolver isso de uma vez.
    Fiquei decepcionado ele dando desculpas que o problema é o ICMS.

    PARALIZAÇÃO IMEDIATO, URGENTE.

  5. Cledson Rodrigues do Nascimento em..

    É meus amigos infelizmente tá duro fechar a conta.
    Tenho varia conhecidos que não está conseguindo seque por pneus no caminhão.
    A tabela de frete foi criada mas ninguém cumpre.
    Não tem fiscalização.
    Eu estou abandonando a profissão já não aguento mais vê o fretebras com e outros com fretes que não dá para colocar o combustível….

  6. Votei no Bolsonaro pensando que ele ia olhar pela nossa classe de autônomo mas estou começando a ficar preocupado pois até agora estamos sendo enrolado s e tendo que trabalhar com fretes abaixo do piso mínimo e ninguém do governo não está tendo interesse em resolver nosso problema acho que o jeito e nos mesmos resolvermos , pois a pedra está e no nossos sapatos e não no deles , só parando de novo eles vão ouvir nossas vozes?

  7. Charles Henrique em..

    Vamos nos unir pois somos mais fortes juntos. E quem tem que representa o caminhoneiro tem que ser um da rodagem mesmo e não como foi feito da última vez que o sindicato e um punhado de empresário.greve já. Se Bolsonaro não se manifestar.

  8. Greve, só resolve quando não podermos mais garantir o sustento do caminhão. Tudo o que está acontecendo está planejado. Fim da frota do Brasil. Ford percebeu e fechou a Fábrica, vem monopólio por aí. Não vamos durar e na marra, 10 anos.

  9. Senhores camioneiros autônomos, a categoria está dividida, vão nos extinguir logo logo. Monopólio do transporte de carga no Brasil, subsidiada pelo governo. Tudo sem impostos. Abram a capa do olho.

  10. Ozório Chaves em..

    Nao esta facil! Se esse governo nao se posicionar! a greve tem que acontecer, por que sem dúvida nenhuma a situação esta bem pior que antes da greve.

  11. Fagner Luis combin em..

    Tem que parar mesmo se organizar e parar em casa deixar o país parar, sou caminhoneiro trabalho para um terceiro e vivo com o medo dele parar e vender o caminhão por falta de condições de continuar, sou pai de dois filhos pequenos se ele não conseguir manter os caminhões e vender como vou sustentar a minha família até arrumar outro emprego? O governo não faz nada por nos e nos temos poder para mudar tudo pelo amor de deus vamos deixar de ser competitivos uns com os outros e vamos nos unir para melhorar nossa classe que eh tão importante para o país.

  12. Gesner Carlos em..

    E so os aplicativos de fretes ja calcularam o valor do frete mínimo e dispor junto ao anúncio da transportadoras.
    Também acabar com o tal complemento… onde muitas transportadoras Fatima uma carga em frações e a dispõe nos anúncios como complementos. E fazer valer a lei.

  13. Silvio dos reis Soares em..

    À realidade hoje o frete ta 35% menor que ano passado antes dá paralisação já está insustentável trabalhar com fretes ruins como está só outra paralisação pra ver se conserta as coisas ou acaba de uma vez.

  14. Olá, em 2005 larguei nas estradas do Brasil 30 mil exemplares de um Livreto com o Titulo, A FORÇA DO CAMINHONEIRO, onde eu convoquei os Caminhoneiros para se Organizarem Sindicalmente e Politicamente, Bom, temos Sindicatos em toda parte do Brasil,Mas…….. Politicamente, eu dizia, Vamos fazer Um Caminhoneiro Vereador em cada Cidade do Brasil (Temos a chance agora em 2020) e Elegermos um ou dois Deputados Estaduais e Um Deputado Federal em Cada Estado do Brasil, (Temos a chance em 2022)para colocarmos 27 Deputados no Congresso Nacional para Brigar pelos Interesses Exclusivos dos Caminhoneiros Autônomos. Os Vereadores e Deputados Estaduais e Federais Trabalhando para esses profissionais teremos a Classe mais Poderosa desse País, Porque se o Caminhão parar paramos o Brasil, já está PROVADO.Amigos Caminhoneiros, com a Mídia e Redes Sociais hoje podemos realizar essa façanha,Vamos divulgar essa Ideia,Com nossos Representantes Legítimos não dependemos desses Políticos Tradicionais de estão aí.Deem Opiniões se GOSTARAM ou NÃO.aBRAÇOS.

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