Em ação humanitária, Transpanorama contrata motoristas venezuelanos

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Iniciativa integra Missão Acolhida, coordenada pelo Exército, que busca atender imigrantes em Roraima

A Transpanorama Transportes, empresa com sede em Maringá (PR), está recrutando motoristas carreteiros venezuelanos, junto com a Missão Acolhida, em Boa Vista (RR). Trata-se de uma iniciativa humanitária pela qual serão contratados 30 motoristas que vão trabalhar em substituição de férias e folgas dos cerca de 1.200 profissionais que já atuam na transportadora.

Uma equipe da empresa está desde sábado (22) na cidade, fazendo entrevistas e aplicando testes comportamentais e práticos. “A ação visa dois objetivos: compor o quadro da empresa e contribuir humanitariamente com todo o movimento que o exército e os governos do Estado de Roraima e o brasileiro têm feito para acolher os imigrantes”, diz a assessoria da Transpanorama, ressaltando que a empresa continua contratando motoristas brasileiros.

Antes de fazer o recrutamento e a seleção em Roraima, a empresa apresentou uma série de documentações, que foi enviada à ONU (Organização das Nações Unidas), demonstrando a sua capacidade de empregar os motoristas estrangeiros e o cumprimento de suas obrigações legais, nas mais diversas esferas.

No total, 130 motoristas se candidataram às vagas disponíveis. Trinta serão levados em julho para Maringá (PR). “Os venezuelanos que forem contratados pela Transpanorama vão trabalhar nos melhores caminhões disponíveis no mercado, com tecnologia de última geração e terão excelentes condições de trabalho. Esta é uma forma de oportunizar emprego e renda para eles. Vamos recebê-los de braços abertos e temos a certeza de que será uma ótima parceria”, diz Claudio Adamuccio, diretor Administrativo da Transpanorama.

CAPACITAÇÃO

Antes de irem para as rodovias, eles vão participar durante 30 dias de um curso de capacitação e aperfeiçoamento de motoristas, no qual terão informações sobre a legislação de trânsito e transporte brasileiro, a cultura do nosso país e da Transpanorama, além de aulas de língua portuguesa. Todos terão alimentação e alojamento proporcionados pela transportadora.

As condições de trabalho serão as mesmas dos motoristas brasileiros, ou seja, registrados de acordo com a CLT e com demais condições de trabalho. Após o término do curso, os motoristas venezuelanos irão viajar durante 30 dias pelo país com motoristas padrinhos, ou seja, colaboradores da empresa que terão a missão de continuar o processo de acolhimento. O deslocamento dos motoristas para Maringá será de responsabilidade da Missão Acolhida.

“Temos um planejamento que foi desenvolvido junto com as autoridades brasileiras, como o Exército, para receber os venezuelanos, que tem como objetivos a acolhida, a integração e o aperfeiçoamento destes profissionais para poderem viver e atuar como profissionais no Brasil”, diz Jean Salgals, gerente de RH da Transpanorama.

MISSÃO ACOLHIDA

Alexandre Carvalhaes, chefe da célula de interiorização da Missão Acolhida e coronel do Exército, diz que há o objetivo de garantir o fluxo migratório das pessoas que vêm da Venezuela para o Brasil. Segundo Carvalhaes, ações como a feita pela Transpanorama, em Boa Vista, somam com os esforços das autoridades para contribuir na geração de emprego e renda para os venezuelanos. Ele afirma que a Transpanorama é a primeira transportadora a contratar uma quantidade expressiva de motoristas da Venezuela. “Hoje a Operação Acolhida faz um chamamento à cmunidade e ao empresariado brasileiro para que possam abrir vagas de emprego nas suas plantas ou nas suas indústrias [para o povo venezuelano]. Temos um grande banco de dados e condições de selecionar candidatos de toda a expertise”, diz.

OPORTUNIDADE

Felipe Amado Mejias Penaloza, 43 anos, é motorista e trabalhava na Venezuela no transporte de cegonheira, container e produtos químicos. Está há dois anos desempregado e há um ano e seis meses mora no Brasil. Boa parte da família dele está do lado de cá da fronteira, morando num abrigo. São quatro filhos, um neto, uma nora e a esposa. A cidade de origem de Penaloza está 24 horas de viagem de Boa Vista, de ônibus. “ Aqui pelo menos não passo fome. Ter este emprego vai me ajudar a devolver o futuro para os meus filhos, significa muito para mim”, diz.

Nestor Alcedo Cumache, 52 anos, está no Brasil há cinco meses. Começou na profissão de caminhoneiro há 19 anos. Na Venezuela, trabalhou no transporte de sementes, grãos e bobinas. Está desempregado há dois anos. Hoje mora nas ruas de Boa Vista, com a família: a esposa, uma filha de 14 anos e uma filha de quatro anos, ficando a maior parte do tempo numa praça da cidade. “Durmo com a minha mulher numa rede e as minhas filhas ficam na barraca. Na Venezuela, passei muita fome, minha filha de quatro anos pedia café da manhã e não tinha para dar. Vendi tudo para vir para cá, casa, carro… Não tinha como manter o carro, pneus eram muito caros. Aqui, às vezes, faço diária de trabalho, ganho R$ 50, que já ajudam para comprar alimentos. Quero essa oportunidade de trabalhar na Transpanorama. É de ouro. Com isso vou ajudar a minha família e terei a chance de aprender mais na empresa”, aponta.

 

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