MULHERES: Uma rotina de tirar o fôlego

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Diretora da Transjordano garante que todo o mundo consegue cuidar bem da família, do trabalho e da saúde

Nelson Bortolin

Ela acorda todos os dias por volta das 5h30 da manhã. Faz atividades físicas das 6 às 7 horas, volta para casa, dá café para os filhos Isabela (7) e Arthur (5) e os leva para a escola. Vai para a empresa, onde fica até 18h30. Volta para casa, prepara o jantar das crianças, conversa e joga com elas, acompanha o dever de casa e as coloca para dormir. Depois, janta com o marido, resolve “alguma coisa” no computador, medita e vai dormir para recomeçar logo cedo.

Tem gente que se cansa só de ouvir o relato da rotina da empresária Joyce Bessa, diretora administrativa-financeira da Transjordano, de Paulínia (SP). Mas, para ela, com organização e planejamento, todo o mundo tem condições de cuidar bem da família, do trabalho e da saúde, inclusive os homens. “Eu tenho certeza que sim. As mulheres têm uma pequena vantagem que é a facilidade de lidar com mais de uma coisa ao mesmo tempo.”

Joyce se dedica à transportadora desde 2000, dois anos após o pai, João Bessa, fundar a empresa. Só não atuou no início porque ainda fazia faculdade de Administração em Belo Horizonte.

Embora a presença feminina no transporte ainda seja tímida, a empresária diz que o machismo diminuiu bastante no setor. E afirma nunca ter se sentido desrespeitada, mesmo participando de reuniões nas quais é a única mulher entre dezenas de homens. Por via das dúvidas, dá um conselho para as colegas que desejam ter sucesso na área. “Tenha firmeza, não titubeie, não tenha medo de perguntar se estiver em dúvida. Só afirme quando tiver certeza.”

Outra dica importante é o planejamento. “Tem de pensar agora para atingir os objetivos daqui a seis meses”, explica.

Joyce ao centro com o irmão Jordano e as motoristas da empresa. À direita os pais, Cândida e João Bessa

Gostar de desafios, dentro e fora da empresa, também conta a favor. No início deste ano, a empresária resolveu correr a meia-maratona do Rio de Janeiro. Foram 21 quilômetros que ela percorreu em junho. “Eu me preocupo e gosto de cuidar da minha saúde.”

Desde 2015, a Transjordano mantém um programa para atrair caminhoneiras. “Um dia, um dos nossos motoristas perguntou se havia vaga para a mulher dele, que também dirige. Resolvemos testar e a experiência foi muito positiva. Passamos a investir na mão de obra feminina”, conta.

Joyce cita pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), segundo a qual as mulheres são apenas 0,3% dos motoristas profissionais empregados no País e 0,6% dos autônomos. Na Transjordano, elas já representam 2%. “Somente com mudanças nas pessoas, estruturas e um novo mindset (mentalidade) é possível aumentar esse número”, afirma.

Segundo a empresária, as mulheres são mais cuidadosas com os caminhões, mais atentas às questões de segurança e têm mais facilidade de cumprir as metas. “Temos casos de enfermeira e professoras que deixaram seus empregos para vir trabalhar de motorista com a gente, simplesmente porque adoram a profissão”, afirma. A empresa tem uma frota de 350 caminhões e mais de 600 funcionários.

De acordo com a empresária, o fato de a transportadora contar com uma mulher na liderança “fortalece as decisões, traz visões diferenciadas ao negócio e inspira outras mulheres a se desenvolverem”.

Recentemente, ela apresentou uma palestra no workshop regional de transportes da Raízen. O tema foi a presença da mulher nas operações rodoviárias. “É importante destacar que, para que essa presença aumente, é preciso mudar mentalidades de homens e mulheres. É necessária uma transformação no entendimento dos papéis de ambos”, afirma.

Além das funções na Transjordano, Joyce Bessa atua na Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), num projeto que visa “reprogramar” a entidade para daqui a cinco anos. E é vice-coordenadora da COMJOVEM do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de Campinas, o Sindicamp.

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