Mulheres: Dores e alegrias da boleia

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Com o marido Rafael, Denize conhece lugares maravilhosos, mas sofre com a falta de infraestrutura dos embarcadores

NELSON BORTOLIN

Será que as pessoas sabem que o salmão que elas estão comendo no restaurante japonês foi trazido do Chile por um caminhoneiro que enfrentou uma série de adversidades? Essa é uma pergunta que Denize Moraes, mulher do caminhoneiro Rafael Hoffmann, se faz todos os dias. E ela tem autoridade para falar sobre os perrengues enfrentados por quem vive na boleia. Há seis anos, viaja junto com o marido pelo Mercosul.

Denize e Rafael, que moram em Foz do Iguaçu (PR), já chegaram a ficar 14 dias parados no Chile esperando que a estrada fosse liberada da neve. “Fica muita gente num mesmo lugar. Falta água quente nos banheiros”, conta.

No Brasil, o frio não é problema. Por aqui, o que dificulta a vida são as longas esperas nos embarcadores. As sedes da M. Dias Branco, em Fortaleza, Nestlé, em Cordeirópolis (SP), Arcor, em Campinas (SP), e Kelloggs, em São Paulo, são locais citados por Denize onde as mulheres dos caminhoneiros são obrigadas a esperar do lado de fora, sob sol ou chuva.

“Na M. Dias Branco, eu fiquei das 8 da manhã até o meio-dia, num ponto de ônibus, porque nem um puxadinho para abrigar as esposas tem”, declara. Sem um copo de água para tomar, ela diz que foi obrigada a pegar um ônibus circular na capital cearense para se dirigir ao posto de combustível, onde esperaria por Rafael até as 22 horas.

Na sede da Kelloggs, na capital paulista, Denize conta que já chegou a esperar por várias horas sob forte chuva.

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Mas a vida de quem viaja com o marido caminhoneiro também tem lá sua parte boa. “Além de ficar junto dele, o lado bom é viajar, conhecer lugares, culturas e histórias diferentes.” Inclusive fora do País. “Poder passar aos pés do Aconcágua uma vez por mês não é para qualquer um”, conta ela, se referindo a uma das montanhas mais altas do mundo, localizada na Cordilheira dos Andes (veja no vídeo abaixo).

Em seis anos, é a primeira vez que Denize fica longe do marido. Por causa da pandemia no novo coronavírus, somente os motoristas são autorizados a entrar nos países vizinhos. “É um vazio”, diz ela sobre o sentimento de estar distante de Rafael. “Fica um buraco que demora a ser preenchido”, complementa. O caminhoneiro chega a ficar 30 dias fora de casa.

Não é apenas a saudade que castiga. A preocupação também. O casal se comunica pelo celular todos os dias. Logo cedo, fazem uma oração juntos antes do companheiro pegar a estrada. “Fico preocupada se ele está passando frio, se tem comida na caixa de cozinha, se está dormindo bem”, explica ela que já chegou a pegar temperatura de 17 graus negativos durante viagem com Rafael.

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