Transporte espera estabilidade em preço do diesel

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Troca na Petrobras é elogiada por transportadora e entidade de autônomos; sindicalista critica

Nelson Bortolin

A troca no comando da Petrobras, anunciada na sexta-feira (19), reduziu o valor da estatal em cerca de R$ 100 bilhões e foi muito mal recebida pelo mercado financeiro e por boa parte do empresariado, que teme uma postura mais intervencionista do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Mas a mudança, feita após a divulgação de mais um reajuste no preço dos combustíveis, encontra apoio no transporte rodoviário de carga.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) elogia o general da reserva Joaquim Silva e Luma, indicado pelo governo para assumir a petrolífera. E acredita que a troca vai abrir a “caixa-preta” da formação dos preços do óleo diesel no País. A Cargolift Transporte também elogia o general e aposta numa maior previsibilidade no valor do combustível.

“O gestor que vai assumir Petrobras mostrou excelentes resultados na Itaipu, cortando custos, elevando receita. Fez uma revolução”, afirma o assessor executivo da CNTA, Marlon Maues. Silva e Luma é presidente da hidrelétrica binacional e ainda aguarda a aprovação de seu nome pelo conselho da petrolífera. “A CNTA vê com muito bons olhos. Acreditamos que ele vai abrir a caixa-preta que é a composição do custo do combustível”, complementa.

Marlon, da CNTA

Maues acrescenta que a confederação não espera subsídios nos preços do diesel. “Num mercado de livre concorrência, ainda mais numa commodity, não se pode fazer controle de preço”, alega. Mas com mais transparência na planilha, no entendimento da CNTA, seria possível, por exemplo, reivindicar redução de impostos que incidem sobre o combustível

A entidade acredita que Bolsonaro irá cumprir a promessa feita na quinta-feira (18) de zerar os impostos federais sobre o diesel por dois meses a partir de 1º de março. O Ministério da Economia ainda não divulgou como vai viabilizar essa medida. “Não dá para ser para sempre porque o cobertor é curto e o governo não tem de onde tirar (os valores para compensar a renúncia fiscal). Mas já vai ajudar”, diz Maues.

Ele espera que os governadores também façam a parte deles de diminuir a cobrança de ICMS sobre o diesel. O assessor afirma que a CNTA está reivindicando aos Estados que os caminhoneiros possam se beneficiar de créditos de ICMS do mesmo modo que as empresas.

Presidente da Cargolift Transporte, Markenson Marques critica a atual gestão da Petrobras, que é presidida por Roberto Castello Branco, homem de confiança do ministro da Economia, Paulo Guedes. Para ele, falta transparência na formação dos preços. “Tem sim que seguir os preços internacionais, mas é preciso divulgar os cálculos. O combustível afeta a economia como um todo. A Petrobras precisa levar para a capa dos jornais como chegou a aos aumentos como o último ,de 15%”, afirma.

Markenson, da Cargolift

Marques defende a privatização da estatal e a entrada de novas empresas no mercado de exploração de petróleo. Só assim, na opinião do empresário, haverá queda nos preços.

Para ele, Bolsonaro age corretamente em socorrer o setor de transporte e principalmente os caminhoneiros autônomos que estariam com os fretes “muito defasados”, além de enfrentarem aumentos de custos. “Os preços dos caminhões subiram 25% em um ano. Os dos semirreboques, 22%. Os pneus subiram 32%”, enumera.

O presidente da Cargolift considera o general indicado para a presidência da estatal com um “executivo que fez excelente trabalho na Itaipu”

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Litti, do Sindijuí

Liderança nacional dos caminhoneiros, Carlos Alberto Litti Dahmer, do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Ijuí (Sindijuí), discorda dos dois entrevistados. Para ele, não há motivo para comemorar a troca de comando da Petrobras. “Não tenho expectativa alguma. Porque mudou o piloto, mas o ano de voo é o mesmo. Há uma cartilha para seguir e essa cartilha não foi modificada”, critica.

 

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