ARTIGO: Caminhoneiros, o problema do negócio de vocês não é o preço do diesel

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Artigo escrito por João Batista Dominici, especialista em trânsito e transporte

 

Querem ver por quê?

Por hipótese, imaginem que o Bolsonaro, que não entende de economia, zerasse o preço do diesel, desse de graça o diesel para vocês…

O que vocês acham que iria acontecer?

Que vocês iriam embolsar esse valor?

Até o mais idiota dos contratantes de frete sabe que, principalmente na longa distância, o diesel representa até 60 por cento do preço do frete.

Logo sendo esse custo eliminado da planilha de vocês, também, por certo, seria eliminado da deles, ou seja, do preço do frete que vocês recebem.

Então uma semana depois, talvez um mês depois, lá estariam vocês de novo anunciando greve por causa do preço do frete.

E a que conclusão se chegaria?

Exatamente a que enunciamos no começo: o problema não era o preço do diesel, assim como também não é o preço do pneu, nem do famigerado pedágio.

Então qual é o problema? O que fazer?

Primeira coisa não envolva, nem peça nada ao governo, a não ser estradas em bom estado de conservação, pontes funcionando, redução da burocracia, desregulamentação do segmento.

Nem façam nada que obrigue a intervenção do governo

Aprendam definitivamente, que o governo é peça de ficção, não tem estudos, não tem planejamento, não tem as ferramentas adequadas para resolver esse tipo de problema e qualquer coelho que sair dessa cartola vai ser sempre uma solução paliativa, que não vai resolver o problema, mas seguramente vai criar um.

Lembram do vale-pedágio? Não eliminou os custos com pedágio, pelo contrário, introduziu mais intermediários, apenas criou mais custos.

Não fechem rodovias, não anunciem greves.

Aliás, tirem a palavra greve do dicionário de vocês

Aposentem as suas velhas lideranças. As fazedoras de greves.

Deem-lhes o devido e merecido descanso.

Lembrem-se: elas estão por aí há mais de 50 anos e nunca conseguiram resolver esse problema.

O alvo de vocês não é o governo. É o mercado, é quem contrata frete, são os grandes compradores, mas não os ameacem com greves.

Criem uma grande plataforma para intermediação e negociação de fretes, contratem profissionais para dirigi-la.

Coloquem a CNT para pagar essa conta.

Estudem o setor.

Analisem o tamanho da frota.

Monitorem a demanda.

Criem uma espécie de bolsa do frete.

Para entender que quando cair a demanda é hora de dar férias para parte equivalente da oferta.

Façam como o pessoal da cegonha, quando diminui a demanda ,eles diminuem a oferta.

Só assim o preço se mantém.

As margens se mantém.

Esqueçam a Tabela de Pisos Mínimos da ANTT.

Façam suas próprias tabelas que variem com a variação do preço dos principais insumos, aqui entra o preço do diesel, mas também com a demanda.

Entendam que sem conhecer minimamente o negócio em que vocês atuam não há a menor chance de sobrevivência.

Estudem mais. Cobrem que o SEST SENAT ofereça cursos, muitos cursos, mas cursos bons, úteis para o negócio de vocês.

Que os ajudem a entrar e se for o caso permanecer no negócio, mas também, a sair do negócio, se no final das contas alguns de vocês descobrirem que esse negócio não é simples como parece.

Trabalhem para aprender como reduzir custos, com inteligência, com negociação, na aquisição de insumos, por exemplo, mas acima de tudo a transferir esses custos, quando necessário.

Fiquem atentos às dezenas de atravessadores do segmento, inclusive as digitais.

Para que um dia, se tudo der certo vocês possam se convencer de que o problema não é o custo do diesel.

À primeira vista pode parecer pouco, mas não é.

Por favor avisem isso ao presidente Bolsonaro. Ele está desesperado para achar uma solução e pode acabar só arrumando mais um problema.

 

MB - Oleo
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