Simara comanda rodotrem da IC

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DAF - Motorista

Aos 42 anos, caminhoneira paulista tem 74 toneladas sob sua responsabilidade diariamente

Quando desafiada, Simara Leonello dos Santos, 42 anos, se sente mais forte para mostrar do que é capaz. Sempre foi assim. Aos 12 anos, ela aprendeu a dirigir com o pai, numa camioneta D10. Aos 21 anos, já tinha carteira de habilitação na categoria E. Atualmente, a motorista pilota o veículo de carga com o maior peso bruto total combinado permitido no Brasil, o rodotrem. São 74 toneladas sob responsabilidade da paulista de São Joaquim da Barra.

“Ela não queria estar aí, deixa ela se virar.” Esse é o tipo de comentário que Simara já ouviu de homens que a viram fazendo algum tipo de esforço nas estradas. “Só que antes de me desanimar, essas críticas me dão mais força. Vem uma força que você engata, desengata, levanta peça, bate caçamba…”, conta.

Filha e neta de caminhoneiros, a paulista aprendeu a dirigir caminhão observando o pai na boleia.“Ficava perguntando, especulava muito.” Quando decidiu que queria ser caminhoneira, o pai não a apoiou de imediato. Ele pediu a um vizinho caminhoneiro que desse uma volta com Simara para ter um parecer isento. “A menina sabe tudo”, disse o homem.

O receio inicial do pai, que morreu em 2009, deu lugar ao orgulho da filha e ao agradecimento. “Quando eu comecei, ele pode descansar mais e ficar mais com a família”, conta.

Simara hoje é funcionária da IC Transporte e carrega grãos e adubos pelas estradas de São Paulo, Minas Gerais, Goiás Paraná e Mato Grosso. O rodotrem é puxado por um Volvo 540. “Para manobrar esse tipo de caminhão, tem de ter foco, paciência e tempo para fazer tudo devagarzinho. Sem paciência, você vai dar ré, o trem vai entornar para lá e para cá. Tem de prestar muita atenção no retrovisor”, ensina.

A motorista, que divorciou-se do marido, tem três filhas, de 21, 12 e 8 anos. E sempre contou com a ajuda da mãe e da irmã para criar as meninas “Tem hora que bate uma saudade”, declara. Mas as redes sociais ajudam a diminuir a distância. Veja entrevista no vídeo.

 

FERNANDA

A IC transporte tem oito motoristas mulheres e nunca esteve fechada à participação feminina. Mas, no início deste ano, resolveu apostar mais na participação delas. “Em janeiro, nós tínhamos apenas uma. Queremos aumentar a presença das mulheres. Temos pedido para elas indicarem outras amigas que possam trabalhar com a gente”, conta avice-presidente administrativa da transportadora, Fernanda Camargo Sarreta.

A empresária tem acompanhado de perto as trabalhadoras. Num grupo específico de WhatsApp, são realizadas constantes rodadas de conversa. “Temos buscado entender as necessidades delas”, afirma.

Em breve, Fernanda dará início a uma mentoria para o grupo. “Vamos falar sobre saúde mental, sobre como alinhar vida pessoal com profissional, discutir as competências importantes a serem desenvolvidas.”

A empresária também pretende acompanhar as motoristas em trechos de viagens. “Queremos aumentar cada vez mais o número de mulheres”, conta.

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