Linha de crédito do BNDES dobra recursos, amplia tipos de veículos financiáveis e melhora condições para autônomos, com até 12 meses de carência e prazo de até 10 anos
Fonte: Agência BNDES de Notícias
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai operacionalizar a linha de financiamento (BNDES Renovação de Frota), que terá orçamento de R$ 21,2 bilhões, sendo R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões em recursos adicionais do Banco. As condições da linha serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. O valor máximo financiável por beneficiário é de até R$ 50 milhões.
O anúncio da ampliação do programa Move Brasil foi feito em evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira, 30. A nova etapa do programa – que antes só financiava a compra de caminhões – passa a incluir também o financiamento de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários (como reboques e carrocerias, por exemplo), aumentando o seu público-alvo e o volume de recursos disponíveis.
São beneficiários do Move Brasil os transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas associadas a cooperativas de transporte rodoviário de cargas, e empresários individuais ou pessoas jurídicas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas ou de passageiros. Os recursos só poderão ser usados na aquisição de veículos de fabricação nacional que atendam às regras de conteúdo local do BNDES. No caso de específico de caminhoneiros autônomos e cooperativados, a MP permite não apenas a aquisição de veículos novos, mas também de seminovos.
A Medida Provisória (MP) que amplia o Move Brasil também prevê o fortalecimento do apoio aos transportadores autônomos, público mais vulnerável às oscilações econômicas. Na prática, essas medidas serão a redução na taxa de juros e a ampliação do prazo máximo de pagamento para até 10 anos (o dobro do prazo previsto na linha lançada na primeira etapa do programa) e de seis para 12 meses de carência, propostas que serão avaliadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O volume de recursos reservado exclusivamente aos autônomos será de R$ 2 bilhões, o dobro do valor disponível em 2025.
O presidente Lula destacou que as condições mais favoráveis oferecidas na nova etapa do Move Brasil, sobretudo para os autônomos. “Tudo para eles é mais difícil. A garantia que o autônomo têm é o patrimônio que ele está adquirindo. E ele precisa ter certeza que o crédito vai sair. Por isso sempre pedimos aos bancos públicos como a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES que trate os autônomos com carinho”.
Os avanços também foram destacados pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. “Para os autônomos, estamos melhorando muito as condições com uma taxa de juros mais atrativa e com um prazo mais estendido, o que também diminui o tamanho das parcelas, que passam a caber no bolso. Para os frotistas, a linha também está melhor. A primeira etapa foi um sucesso e não há motivo para que a segunda também não seja”.
Os R$ 10 bilhões iniciais do Move Brasil, disponibilizados a partir de janeiro de 2026 com juros abaixo dos de mercado, foram consumidos em dois meses, totalizando mais de 8 mil operações de compra de caminhões novos em todas as regiões do Brasil, por caminhoneiros autônomos, cooperativados e frotistas. Em sua nova etapa, o volume de recursos disponíveis é dobrado.
“Em um cenário de maior volatilidade internacional, o que o país precisa é de previsibilidade para investir e trabalhar. Esta nova linha une crédito mais acessível e prazo mais longo, especialmente para o transportador autônomo, e acelera a troca de veículos antigos por uma frota mais segura, eficiente e sustentável, prioridades do presidente Lula. Essa é uma medida concreta para combinar competitividade e clima, acelerando investimentos que modernizam o transporte e fortalecem a transição energética para um futuro mais sustentável”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Modernização da frota e eficiência logística – O transporte rodoviário é fundamental para a integração nacional e para o acesso da população a bens e serviços essenciais. O setor enfrenta, atualmente, elevado grau de obsolescência da frota, o que aumenta custos de manutenção, reduz a eficiência energética, agrava a emissão de poluentes e aumenta riscos operacionais e de segurança.
Ao incentivar a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos, eficientes e sustentáveis, o Move Brasil contribui para reduzir custos logísticos, aumentar a produtividade, melhorar a segurança viária e impulsionar a indústria nacional de veículos e implementos rodoviários.
Sustentabilidade e transição energética – Os financiamentos estarão condicionados ao cumprimento de critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica, incentivando a aquisição de veículos com menor consumo de combustíveis e menores emissões. A medida está alinhada aos compromissos climáticos do Brasil e às agendas de transição energética e descarbonização, em consonância com os compromissos assumidos pelo país, inclusive no âmbito da COP30.
Para o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o programa tem importância social, econômica, ambiental e para a saúde pública. “A primeira etapa do Move Brasil foi um sucesso e a segunda etapa está ainda maior e melhor. Antes só tinha caminhão. Agora é caminhão, ônibus e implementos rodoviários e uma conjunto de novas condições”, disse.
“Isso tem uma importância social porque segura emprego e renda pra população. E tem uma importância econômica, pois nós vamos reduzir custos para o Brasil, melhorar a logística e a sustentabilidade ambiental. O caminhão novo polui 40 vezes menos do que um caminhão com mais de 20 anos. E eu destacaria ainda a importância de saúde pública, porque a terceira causa de morte no Brasil são os acidentes rodoviários. E com a renovação da frota, esses novos caminhões e ônibus contam com uma tecnologia impressionante que contribui para reduzir drasticamente os acidentes”, concluiu.
Medidas Provisórias – No evento, foram anunciadas duas Medidas Provisórias. A primeira, além de viabilizar a ampliação do Move Brasil, autoriza a União a aumentar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) em até R$ 2 bilhões. O objetivo é ampliar a capacidade do fundo de oferecer garantias em operações de crédito, principalmente para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), além de estender os prazos de carência e de pagamento dessas operações.
O FGI tem por finalidade facilitar a obtenção de crédito por MPMEs, por meio do compartilhamento do risco das operações com os agentes financeiros. O reforço patrimonial do fundo amplia a capacidade de concessão de garantias, preservando o acesso ao financiamento para empresas viáveis.
Segundo a diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, no âmbito da 1ª fase do Move Brasil foi possível executar praticamente toda a dotação disponível, beneficiando mais de 5 mil frotistas e trabalhadores autônomos. Ela ressaltou ainda que a disponibilização de R$ 2 bilhões em recursos para autônomos é fundamental para fortalecer e consolidar o segmento. “Nesse momento, com a operação do Move Brasil 2, que vai permitir a renovação de frota, nós teremos com toda nossa rede, mais de 80 instituições financeiras que operam conosco, teremos cada vez mais a possibilidade de atender da melhor forma a cada um e a cada uma de vocês”, afirmou.
A segunda MP, por sua vez, cria Crédito Extraordinário, no valor de R$ 17 bilhões, com o intuito de dar cobertura ao aporte de R$ 2 bilhões no FGI, à ampliação do Move Brasil, com recursos de R$ 14,5 bilhões e ao aporte de R$ 500 milhões ao Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), com o propósito de viabilizar a ampliação da oferta de garantias públicas às exportações.
