O grupo petroleiro francês Total concluiu a compra da rede de distribuição de combustíveis de Araxá (MG)

LUCIANO ALVES PEREIRA

O anúncio da aquisição ocorreu em fins de novembro. Por coincidência, o CEO da adquirida é o governador do Estado, eleito pelo Partido Novo, numa das muitas e surpreendentes viradas que marcaram as eleições de 2018.

Realizada assim, às vésperas da cerimônia da posse, a operação deixa a impressão de ‘correria em final de festa’, mas não. Os Zema já queriam vender o negócio há mais tempo, segundo informou o Diário do Comércio de BH: “A Raízen [joint venture entre Cosan e Shell]já havia analisado o negócio no passado”.

A compra da Total não teve o valor revelado, como de praxe, mas estimado pelo mercado em cerca de R$ 500 milhões, compreendendo a rede de mais de 280 postos de combustíveis e respectivas bases, fornecendo diversos produtos de petróleo, além do etanol. A maior parte situada em Minas, Goiás e Mato Grosso. As bases de armazenamento possuem também atividade de fornecimento para bandeiras brancas, nas mesmas regiões.

Norberto Neiva vê a chegada da Total como benefício

 Com a aquisição, “a Total, que atua no Brasil desde 1975, se insere no maior mercado de combustíveis da América do Sul e no segundo maior mercado mundial de biocombustíveis de baixo carbono”, diz a nota da companhia. O Grupo manifesta sua intenção de “expandir suas atividades na área, com o objetivo de dobrar o número de postos embandeirados em cinco anos, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste”.

Fundada em 1923 por Domingos Zema, a empresa araxaense montou o primeiro posto de abastecimento na cidade. Tinha bandeira Atlantic. A Zema Petróleo aparece pouco na estrada, já que possui 1% do mercado total. Este, por sinal, padece da não desejável alta concentração. As três maiores – BR Distribuidora, Raízen e Ipiranga – juntam mais de 70% de participação.

O Posto Olaria, do Grupo Beija-flor (BH), é um Zema embandeirado. Fica no km 360 da BR-262, saída Oeste, junto à ponte do rio Paraopeba. Norberto Neiva, gerente do Grupo, já sabia da aquisição e acha que será bom para o mercado, embora “nada tenha a reclamar da bandeira Zema”. A seu ver, a chegada da Total trará benefícios para o estradeiro. O Olaria esteve fechado por um longo tempo. Há quatro anos foi reativado pelo Grupo Beija-flor e evoluiu de forma vigorosa na galonagem. Sem deixar de se reconhecer a participação de um bom restaurante, já instalado ali.