Filha de Claudio Adamuccio, médica começa a ampliar sua participação na empresa e se prepara para integrar a nova geração que dará continuidade à história da Transpanorama
Olhar para os 40 anos da Transpanorama é, para Jéssica Adamuccio, olhar também para a própria história. Filha de Claudio Adamuccio, um dos fundadores da empresa, ela cresceu acompanhando a dedicação do pai ao negócio e hoje começa a participar mais ativamente da companhia. “Olhar para a história da empresa me enche de orgulho”, afirma.
Jéssica diz reconhecer os sacrifícios feitos pelo pai e a maneira como ele sempre conduziu a empresa. Em casa, aprendeu que a Transpanorama não representa apenas uma atividade empresarial, mas também uma responsabilidade diante das pessoas e famílias que dependem dela. “Meu pai sempre me ensinou que a empresa, além de fazer o trabalho ao qual se propõe, emprega muita gente e é muito importante para muitas famílias.”
Essa visão também inclui preocupações incorporadas à trajetória da companhia, como responsabilidade ambiental, novas tecnologias e projetos sociais. Por isso, para Jéssica, a Transpanorama deixou de ser apenas uma empresa. “Ela faz parte da nossa história de família.”

Da medicina para a transportadora

O envolvimento de Jéssica com a Transpanorama acontece paralelamente à carreira que construiu na medicina. Oftalmologista especializada em estrabismo, ela começou a participar mais ativamente da empresa há alguns anos. Antes, acompanhava a companhia principalmente de fora. Aos poucos, mesmo morando em São Paulo, passou a participar de reuniões, conhecer departamentos e se envolver em questões mais específicas.
A experiência tem sido uma surpresa positiva. Ao conhecer os diferentes setores, Jéssica passou a perceber ainda mais a dimensão da estrutura construída ao longo de quatro décadas e desenvolveu admiração pelos profissionais que fazem parte dela. “Eu vejo como as pessoas se dedicam à empresa. Muitas pessoas se esforçam muito para dar o seu melhor.”
Sua primeira aproximação mais direta foi com a área de SSMA — Saúde, Segurança e Meio Ambiente, em razão da formação médica e também de uma preocupação pessoal com o meio ambiente. Depois, passou a acompanhar questões relacionadas a recursos humanos e outros temas ligados às pessoas.
Ainda não há uma definição sobre qual será seu papel no futuro. “Eu tenho me envolvido mais com essas áreas. Mas acredito que a visão é me envolver com todas.”

O desafio da sucessão

Para Jéssica, receber uma empresa estruturada, com quatro décadas de história, credibilidade e profissionais experientes, representa uma grande vantagem em relação aos desafios enfrentados pelos fundadores. Mas isso não significa que a sucessão será simples. “Você já entra num trem andando, e um trem rápido e grande.”
A nova geração não terá de construir a empresa do zero, como fizeram Claudio e Valdecir, mas terá de encontrar seu próprio caminho para conduzir uma organização de grande porte e preservar uma história construída ao longo de 40 anos. O processo sucessório vem sendo tratado de forma estruturada, com apoio profissional. Jéssica, a irmã Izabella e os primos Guilherme e Polyany participam dessa preparação. “Eu acredito que está numa fase boa.”
Ela atribui parte desse momento ao esforço do pai e do tio para preparar melhor os sucessores. A convivência entre os quatro também é vista como positiva.
A presença de três mulheres entre os quatro sucessores chama atenção em um setor historicamente masculino. Para Jéssica, isso mostra que o ambiente empresarial está mudando. “Apesar de ser uma área predominantemente masculina, está aberta para mulheres.”
Jéssica está construindo seu caminho na empresa gradualmente, com aprendizado, participação em diferentes áreas e convivência com os profissionais que ajudaram a construir a empresa. Mais do que simplesmente assumir uma posição, ela vê a sucessão como uma oportunidade de preservar os valores que marcaram a trajetória da família e, ao mesmo tempo, contribuir para uma nova etapa.
A empresa que a nova geração receberá não será exatamente a mesma que Claudio e Valdecir construíram. O mercado mudou, a tecnologia avançou e novas responsabilidades passaram a fazer parte da gestão.
Para Jéssica, o desafio é unir essa história de quatro décadas às necessidades do futuro — mantendo vivo aquilo que fez da Transpanorama parte tão importante da família.