Levantamento sobre a presença feminina no transporte de carga também revela que as negras têm menos perspectivas de crescimento

Apesar de as mulheres serem maioria em determinadas áreas das empresas de transporte rodoviário de carga, os homens é que mais comandam esses setores. É o que mostra o resultado da pesquisa Mulheres no TRC, realizada pelo Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC), do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp).

Segundo a pesquisa, 64% das mulheres disseram que, especificamente em suas equipes de trabalho, a presença feminina é maior. Apesar disso, a maioria (54%) afirmou que seu superior imediato é homem.

Na liderança executiva das empresas, a presença masculina é maior, segundo 73% das respostas.

O estudo foi realizado entre os dias 20 e 31 de agosto deste ano, por meio de um formulário eletrônico. Foram feitas 48 perguntas para mulheres que trabalham nas principais transportadoras do País e segmentos ligados a essas empresas. No total, foram obtidas 657 respostas válidas.

A maioria das mulheres (65%) alegou que recebe a mesma remuneração na comparação com os homens que exercem a mesma atividade. As mulheres negras são as que mais discordaram desta afirmação.

As brancas são maioria, 55,7% das entrevistadas. E, como na sociedade em geral, as negras encontram mais barreiras no trabalho. Enquanto 64% do total de mulheres concordaram com a afirmação de que suas ideias são ouvidas e valorizadas na empresa, esse porcentual baixa para 48% quando consideradas apenas as negras.

E, apesar de serem as que mais acreditam nas oportunidades do TRC, são as que dizem ter menos perspectiva de alcançar uma posição superior na empresa.

PERFIL

A pesquisa apontou um panorama do perfil da mulher que compõe o setor de transporte rodoviário de cargas: branca (55,7%), solteira (39,7%), entre 26 e 34 anos (38,1%) e sem filhos (48,2%).

O estudo também revelou que 70% das mulheres do TRC não consideram a maternidade como um empecilho no crescimento da vida profissional, sendo que as mulheres solteiras entre 19 e 25 anos, têm maior preocupação neste quesito.

Na foto em destaque, Ângela Garcia, motorista da empresa Transjordano.

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