Filha de Valdecir Adamuccio, Polyany cresceu acompanhando a trajetória da Transpanorama e, quatro décadas depois da fundação, se prepara para ajudar a conduzir o legado da família, com foco em finanças, gestão e sucessão.
Filha do diretor comercial Valdecir Adamuccio, Polyany cresceu acompanhando de perto a trajetória da Transpanorama. Aos 42 anos, ela diz que não consegue se lembrar de uma época em que a empresa não estivesse presente na vida da família. Hoje, quatro anos depois de ingressar profissionalmente na transportadora, ela se prepara para assumir novas responsabilidades e ajudar a garantir a continuidade do legado construído pelo pai e pelo tio, Claudio Adamuccio.
Formada em Direito em 2020, Polyany começou sua trajetória na empresa justamente no departamento jurídico. A experiência, porém, despertou o interesse por outras áreas. “Comecei no jurídico, dando pequenos passos, mais observando, e me apaixonei pela empresa. Falei: ‘Não, jurídico vai ser um pedacinho, eu quero mais’”, conta.
O caminho a levou para uma área bastante diferente de sua formação. Polyany passou a se interessar por controladoria, finanças, números, margens de lucro, auditorias e controles e riscos administrativos. “Foi uma surpresa para mim, porque venho da área jurídica. Matemática, até então, não tinha sido uma área de foco na minha carreira. A minha percepção e interesse mudaram quando os resultados começaram a se transformar em números.” Atualmente, ela estuda finanças, controladoria e contabilidade, áreas que passaram a fazer parte de seu foco dentro da empresa.
Para Polyany, a relação com a Transpanorama começou muito antes de ela se tornar profissionalmente parte da companhia. “A Transpanorama é minha irmã mais nova. Eu tenho 42 anos e a Transpanorama tem 40. Então, não tenho um minuto na minha vida de que eu me lembre da estrutura familiar sem a Transpanorama estar ao redor.”
A infância foi marcada pela presença constante da empresa na rotina familiar. Passeios de domingo muitas vezes aconteciam no pátio do posto da transportadora, acompanhando o pai na rotina dos caminhões. Ela recorda a dedicação de Valdecir, que não tinha hora para trabalhar e podia sair de casa de madrugada para verificar um caminhão. “Foi essa a forma com que eu cresci: vendo o meu pai se dedicar ao máximo a essa empresa, como ele sempre se dedicou à família. Então, a partir do momento em que decidi estar aqui, ela é minha prioridade, assim como minha família é minha prioridade.”
Essa ligação também ajuda a explicar o envolvimento dos quatro sucessores — Polyany, Guilherme, Jéssica e Izabella. Segundo ela, os quatro têm personalidades e experiências diferentes, mas compartilham o mesmo propósito. “Estamos construindo um caminho de aprendizado e respeito, cada um com sua visão e suas diferenças. Só que o propósito é o mesmo, o intuito é o mesmo para os quatro e o coração que acolhe a Transpanorama é igual.”
Desafios
Na avaliação de Polyany, um dos principais desafios da sucessão não está dentro da empresa, mas no ambiente externo. Os sucessores, afirma, têm à disposição quatro décadas de aprendizado transmitido pelos fundadores. “Eles passaram por muitas coisas e superaram muitas coisas juntos. Então, esse aprendizado a gente vai buscar. O que a gente não pode controlar são os desafios externos que temos aí para enfrentar no futuro do nosso Brasil.”
Entre esses desafios, ela destaca a legislação e a insegurança jurídica. Para Polyany, as mudanças frequentes tornam difícil prever como determinadas regras poderão afetar a operação no futuro. “A gente hoje está atuando de uma forma e não sabe como isso vai ser daqui a um ano, porque tudo muda muito rápido e muito fácil. Então, acho que esse é o principal desafio.”
A falta de motoristas também é uma preocupação, mas, segundo ela, trata-se de um problema que ultrapassa as fronteiras do Brasil e que exige das empresas capacidade de adaptação e redução de riscos.
Mulheres ganham espaço
Polyany também vê nas mulheres uma oportunidade para enfrentar a escassez de motoristas. A Transpanorama mantém uma escola interna e já conta com cerca de 45 mulheres motoristas. O número ainda é pequeno diante do total da frota, mas representa, segundo ela, o resultado de um trabalho que está sendo desenvolvido. “A gente dá as oportunidades. Temos uma escola interna e hoje temos, aproximadamente, 45 mulheres motoristas. Não é muito, mas começamos o trabalho e estamos desenvolvendo. A gente olha muito para essa parte social e trazer as mulheres para esse negócio é uma coisa que queremos.”
No setor administrativo, a presença feminina já é bastante forte, inclusive em posições de gestão. A empresa também vem ampliando a participação das mulheres em áreas operacionais, como gestão de frota e coordenação. Para Polyany, porém, aumentar a presença feminina nas estradas exige atenção às condições de segurança. “Eu preciso garantir a segurança de uma linha onde vou colocar uma mulher para dirigir. Tem que ser um lugar adequado, postos adequados para essa mulher parar, ter segurança e cuidar de si ali.”
Ela afirma que nunca enfrentou discriminação por ser mulher dentro da empresa ou no relacionamento com clientes e outros públicos. “Nunca encontrei nenhum problema, nenhum tipo de discriminação, nenhum tipo de ‘você é mulher, você não pode’. Aqui, não.”
Próximas gerações
A sucessão da Transpanorama não é tratada pela família como um processo improvisado. Segundo Polyany, há três anos a empresa conta com o acompanhamento de uma consultoria externa, que continuará auxiliando a diretoria e os sucessores pelos próximos sete anos. A intenção é preparar a nova geração para assumir responsabilidades sem perder os valores construídos pelos fundadores. “O nosso foco aqui é pegar esse legado e deixar para as próximas gerações, garantir ele para deixar para as próximas gerações.”
E a próxima geração já começou a aparecer. Polyany tem dois filhos e Guilherme, mais dois. “A nova geração já está batendo à porta. E a gente já está trilhando um caminho para eles também.”
Para Polyany, depois de 40 anos de crescimento e superação, os sucessores sabem que terão grandes desafios pela frente. Mas também sabem que contarão com uma experiência construída ao longo de quatro décadas. “São 40 anos de história, 40 anos de crescimento, 40 anos de superação. Vendo meu tio e meu pai passarem por inúmeros desafios, eu sei que o que espera a gente daqui para frente não é nada menos do que isso.”
