Projeto Mulheres na Direção já chegou a 18 Unidades e primeira turma teve cinco das nove alunas contratadas por empresas de transporte
Fonte: Assessoria de Imprensa
O projeto Mulheres na Direção, do SEST SENAT em São Paulo, chega a 18 Unidades – das 41 unidades operacionais do estado paulista. O projeto piloto começou em São Vicente; o objetivo é qualificar mulheres habilitadas nas categorias D ou E para atuar no segmento rodoviário de cargas e de passageiros, com formação técnica e oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
A primeira turma teve início em junho e foi concluída com nove alunas aprovadas. Desse grupo, duas foram contratadas pela Nelcar Transportes Rodoviários, duas pela CarpoLog e uma pela S. Magalhães. As outras quatro seguem em processos seletivos.
“Esse curso mudou a minha vida. Eu era cozinheira e não tinha nada a ver com o transporte, mas sonhava ser motorista profissional. Por meio do SEST SENAT, tive a oportunidade de fazer essa formação e, logo depois, recebi uma proposta de emprego da Nelcar. Passei pelos processos da empresa e agora estou na fase de treinamento”, conta Rita Beatriz dos Santos.
A iniciativa considera a participação ainda reduzida de mulheres em funções operacionais do transporte. Para a diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, a atuação feminina nessas atividades ainda causa surpresa, e a formação profissional pode contribuir para transformar esse cenário.
“Ainda nos espantamos quando vemos uma mulher na cabine de um avião, na boleia de um caminhão ou conduzindo um ônibus. Enquanto instituição formadora, nosso papel é diminuir esse espanto”, explica.
O projeto-piloto foi estruturado com base em indicadores do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) referentes à Baixada Santista. Segundo os dados utilizados na iniciativa, 97 mulheres da região possuem habilitação nas categorias AE e E, enquanto 678 estão habilitadas nas categorias AD e D. Ao todo, 775 mulheres são habilitadas em categorias profissionais. Desse total, 12,5% possuem categoria AE/E e 87,5% permanecem nas categorias AD/D.
O público-alvo da iniciativa são mulheres maiores de 21 anos, residentes na Baixada Santista e habilitadas na categoria E, prioritariamente em situação de vulnerabilidade social ou que buscam inserção ou reinserção no mercado de trabalho.
Para Nicole, a presença de mulheres em funções ainda associadas aos homens precisa se tornar cada vez mais natural. “A gente precisa fazer com que esses sejam espaços possíveis de serem ocupados por mulheres, seja por capacitação profissional, seja por incentivos fiscais, seja por infraestrutura e logística adequada, com investimentos governamentais”, afirma a diretora executiva.
Formação tem 107 horas
A primeira edição foi estruturada com 107 horas de formação. As atividades combinaram aulas teóricas presenciais, práticas em simulador de direção, condução real em atividades coletivas e individuais, além de estudos de caso, exercícios e dinâmicas.
O conteúdo foi dividido em quatro módulos. O primeiro, com 28 horas, aborda comportamento, segurança e economia. O segundo, de 50 horas, é dedicado à especialização para produtos perigosos. O terceiro, com 16 horas, trata de transporte e expedição de produtos perigosos. O quarto, com 13 horas, trabalha competências específicas.
A avaliação considera frequência mínima, desempenho teórico e prático, participação nas simulações e na condução real, além do comprometimento das alunas.
“Tive uma preparação muito importante durante o curso, aprendi um pouco de tudo e a formação foi fundamental para essa mudança na minha vida. Hoje, consigo levar esse aprendizado para a prática com mais segurança”, afirma Rita.
A formação utilizou a infraestrutura e o corpo técnico do SEST SENAT e contou com a articulação do Sindisan (Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Cargas do Litoral Paulista) para aproximar as interessadas das empresas do setor.
Próximos passos
A expectativa é que o projeto também passe a oferecer outros cursos e qualificações. Entre as possibilidades estão formações para operador de empilhadeira, primeiros socorros e operador de drone, entre outras.
A proposta é ampliar o alcance da iniciativa e oferecer diferentes possibilidades de qualificação para mulheres interessadas em ingressar ou avançar no mercado de trabalho do setor de transporte.
