Minas Gerais e Santa Catarina completam a lista dos três estados onde mais ocorreram esse tipo de problema, segundo a PRF
Nelson Bortolin
Um levantamento feio pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), a pedido da Revista Carga Pesada, mostra que o Paraná é o campeão de acidentes de caminhões provocados por falhas em freio. Entre 2021 e 2024, foram registrados 184 acidentes desse tipo nas BRs paranaenses, com 18 mortes. Minas Gerais aparece na sequência, em segundo lugar, com 155 ocorrências envolvendo falhas nos freios de caminhões e dez mortes no período analisado. Mato Grosso ocupa a terceira posição, com 84 sinistros e cinco óbitos associados a esse tipo específico de problema mecânico.
O levantamento foi realizado pela Polícia Rodoviária Federal a pedido da Revista Carga Pesada.
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Ao tratar especificamente dos acidentes envolvendo falhas nos freios de caminhões, a Polícia Rodoviária Federal faz uma ressalva importante sobre os limites da análise causal. Segundo Jeferson Almeida, coordenador-geral de segurança viária da PRF, identificar com precisão o peso isolado de cada fator é um desafio técnico significativo.

“A análise de desagregação causal é uma tarefa de alta complexidade metodológica. Ela demandaria a realização de estudos epidemiológicos aprofundados e modelagem estatística robusta, envolvendo o cruzamento de dados de infraestrutura, meteorologia, geometria da via e perfil do condutor, muitas vezes em colaboração com pesquisadores, universidades e institutos especializados. As informações periciais contidas neste documento devem ser utilizadas para contextualizar o risco e a severidade, mas não para quantificar a contribuição isolada dos elementos da via”, explica.
De acordo com Almeida, a atuação da PRF sobre a eficiência dos sistemas de freio dos veículos de carga ocorre em duas frentes principais: a fiscalização preventiva nas rodovias e a análise técnica realizada após a ocorrência de sinistros. “A PRF avalia a eficiência e a regularidade dos sistemas de freio de veículos de carga sob duas vertentes principais: a fiscalização preventiva e durante levantamento pericial de sinistros”, afirma.
Durante as operações de fiscalização, os agentes verificam o cumprimento dos equipamentos obrigatórios previstos no Código de Trânsito Brasileiro e nas resoluções do Contran. A checagem do sistema de freios inclui a análise de componentes mecânicos e pneumáticos, como a integridade das mangueiras de ar, a fixação e o estado das câmaras de freio, ajustadores, eixo expansor, sapatas, lonas e tambores.
Outro ponto observado é o estado de conservação do sistema. “Busca-se identificar vazamentos de ar, trincas em tambores, desgaste excessivo de lonas ou componentes desconectados ou quebrados”, detalha o coordenador. Também é avaliada a movimentação dos componentes, com a checagem do deslocamento da haste da cuíca, o giro do eixo expansor e o contato efetivo das lonas com o tambor em todos os rodados.
Nos veículos mais novos, a fiscalização inclui ainda a verificação dos sistemas eletrônicos de segurança. “Checagem do funcionamento das luzes indicadoras no painel de instrumentos que apontam falhas no sistema antibloqueio (ABS), para veículos fabricados a partir de 2014, com testes específicos do sistema antitravamento”, acrescenta Almeida.
Segundo a PRF, sempre que são constatadas irregularidades, o veículo é autuado e retido até a regularização. A medida busca impedir que caminhões com sistemas de frenagem ineficientes ou inoperantes continuem trafegando pelas rodovias federais.
Nos casos em que o acidente já ocorreu, a análise passa a ser pericial. “Quando ocorre um sinistro, a PRF realiza o Laudo Pericial de Sinistro de Trânsito (LPST). Neste momento, a avaliação dos freios ocorre através da análise de vestígios”, conclui o coordenador-geral de segurança viária.
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