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Teste da Bosch já consegue substituir mais de 35% do diesel por etanol

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Consorcio

Vice-presidente de Novos Negócios da empresa conta que tecnologia está sendo testada em um caminhão off-road e numa colheitadeira e porcentual pode subir mais

Nelson Bortolin

A Bosch América Latina está desenvolvendo no Brasil uma tecnologia capaz de operar motores diesel com etanol simultaneamente. Batizado de Dual Fuel Diesel Etanol, o sistema já está sendo testado em um caminhão fora de estrada da mineração e em uma colhedora de cana-de-açúcar.

Em entrevista à Revista Carga Pesada, o vice-presidente de Novos Negócios da empresa, Paulo Rocca, explicou que o projeto começou há pouco mais de dois anos e ainda está em fase inicial de desenvolvimento. Segundo ele, a tecnologia utiliza um motor diesel convencional, operando com dois tanques: um de diesel e outro de etanol. “O motor continua sendo ciclo diesel. O sistema controla simultaneamente a injeção de diesel e de etanol, fazendo a substituição parcial do diesel conforme a condição de operação”, afirmou.

De acordo com Rocca, em marcha lenta e em momentos de potência máxima o motor opera praticamente apenas com diesel. Já nas faixas intermediárias de carga e rotação, o sistema consegue substituir parte significativa do combustível fóssil pelo etanol.

Nos testes realizados até agora, a Bosch atingiu uma substituição média de 35% do diesel por etanol. Em determinadas condições de operação, o índice chegou momentaneamente perto de 60% a 65%. “Isso ainda é um MVP (Produto Mínimo Viável, em português), uma solução embrionária. Estamos começando agora os testes de campo mais extensos para entender comportamento, desempenho, economia e durabilidade”, destacou o executivo.

Veja no vídeo:

Foco inicial no off-road

Embora a tecnologia possa, em teoria, ser aplicada também em caminhões rodoviários, a Bosch decidiu iniciar os testes no segmento off-road por causa das exigências ambientais menos rigorosas. Segundo Rocca, o grande desafio não está no funcionamento do motor em si, mas nas normas de emissões para veículos rodoviários.

Hoje, os testes envolvem uma colhedora de cana em operação real e um caminhão de mineração. A expectativa da Bosch é ampliar a frota experimental para cerca de dez máquinas agrícolas nos próximos meses.

Caminhão diesel/etanol ainda não tem prazo

Apesar do avanço dos testes, a Bosch ainda não trabalha com previsão para iniciar experiências em caminhões rodoviários. “Estamos trabalhando, conversando, fazendo conta, mas ainda não consigo dar um prazo”, afirmou Rocca.

Ele acredita, porém, que o etanol pode desempenhar papel importante na descarbonização do transporte pesado brasileiro, especialmente pela ampla disponibilidade do combustível no País. “Você encontra etanol praticamente em qualquer região do Brasil. Com a instabilidade geopolítica e o aumento do preço do diesel, nós acreditamos que o etanol pode ser uma das soluções para descarbonização”, declarou.

Mercado observa diferentes alternativas

Questionado sobre o aparente baixo interesse das montadoras no etanol, Rocca disse acreditar que as fabricantes estão analisando várias rotas tecnológicas simultaneamente. “Estamos vivendo uma transição energética que envolve elétrico, híbrido, gás e etanol. Acho que todas as montadoras estão olhando um pouco para tudo”, comentou.

Segundo ele, ainda é cedo para saber qual tecnologia terá maior aceitação do mercado e melhor relação custo-benefício para os transportadores.

Rocca também não descarta a possibilidade de, no futuro, surgirem caminhões movidos integralmente a etanol. Nesse caso, porém, seria necessário abandonar o conceito do motor diesel e adotar motores ciclo Otto.

Desafios ainda serão conhecidos

Em relação à manutenção de um veículo que utiliza etanol, o executivo afirmou que os testes iniciais não apontaram problemas relevantes até o momento, embora a amostragem ainda seja pequena. “Talvez apareça alguma coisa com mais uso. Mas a engenharia aprende a resolver. Foi assim também com os primeiros veículos a álcool no Brasil”, lembrou.

Para Rocca, a pressão global pela redução das emissões de CO2 ajudou a acelerar o interesse por soluções alternativas ao diesel nos últimos anos. “Essa conscientização vem aumentando ano a ano. No passado, essa preocupação era muito menor”, ressaltou.

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