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Guilherme: de menino entre caminhões a sucessor da Transpanorama

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Consorcio
Filho de Valdecir, ele começou a trabalhar na empresa aos 14 anos, passou por diferentes áreas e hoje se prepara para assumir novas responsabilidades ao lado da irmã e duas primas; para ele, o maior desafio da nova geração é honrar o legado construído pelos fundadores
Guilherme Adamuccio nasceu em 1986, o mesmo ano em que a Transpanorama começou sua trajetória. A coincidência, que já seria significativa por si só, ganhou um significado ainda maior ao longo de sua vida. Filho de Valdecir Adamuccio, um dos fundadores da empresa, ele cresceu em meio a caminhões, motoristas e oficinas e desenvolveu desde cedo uma relação de proximidade com o transporte rodoviário.
Aos 14 anos, começou a trabalhar na Transpanorama. Ainda estudante, passava as tardes na empresa e fazia um pouco de tudo: ajudava no estoque, acompanhava a rotina dos pneus e da borracharia, circulava pela manutenção e aprendia com os profissionais que estavam no dia a dia da operação. “Eu era jovem, então ia sempre aprendendo as coisas”, conta.
A experiência prática foi se ampliando com o tempo. Guilherme passou a atuar na área de compras, depois assumiu funções de gerente e diretor de suprimentos. Em 2017, passou a dirigir uma outra transportadora da família, a AALog, onde permanece como diretor-geral. A empresa acabou tendo também um papel importante em sua preparação para a sucessão. “Essa empresa a gente criou justamente para servir como um laboratório de aprendizado”, explica. A ideia era permitir que ele atuasse como diretor, adquirisse experiência e amadurecesse profissionalmente em uma empresa menor antes de assumir responsabilidades maiores.
Agora, dentro do processo de sucessão familiar, Guilherme volta a participar mais diretamente das atividades da Transpanorama. Entre os quatro sucessores, ficou com um “guarda-chuva” que reúne principalmente as áreas operacionais e comerciais, incluindo logística, manutenção e suprimentos.

Um navio

Assumir uma empresa do porte da Transpanorama, no entanto, significa lidar com responsabilidades proporcionais ao tamanho da organização. Guilherme recorre a uma comparação feita pelo próprio tio, Cláudio Adamuccio, para dimensionar o desafio. “A Transpanorama não é mais um barquinho. A Transpanorama é um navio”, afirma.
Com milhares de colaboradores e uma estrutura robusta, qualquer decisão tem consequências importantes. Para Guilherme, não existem projetos pequenos dentro de uma empresa desse tamanho. Cada iniciativa pode produzir resultados significativos no futuro, positivos ou negativos.
O desafio, portanto, não é apenas administrar uma grande companhia, mas dar continuidade a uma história construída ao longo de quatro décadas pelos dois fundadores. “Eles são uma inspiração muito grande para a gente”, diz, referindo-se ao pai e ao tio. Para ele, o principal desafio da nova geração é continuar essa jornada de forma a honrar o legado da família.

Sucessão em vida

A preparação para assumir a empresa também levou Guilherme a aprofundar seus conhecimentos sobre sucessão familiar. Recentemente, ele concluiu uma pós-graduação na Fundação Dom Cabral e desenvolveu, como trabalho de conclusão de curso, uma pesquisa sobre sucessão familiar nas empresas de transporte.
Na avaliação dele, o tema vem ganhando espaço no setor. Programas voltados às novas gerações, como o Next Generation, da Scania, mostram que as empresas e seus parceiros começam a perceber a importância de preparar os sucessores com antecedência.
Durante muito tempo, segundo Guilherme, a sucessão foi associada à saída definitiva do fundador. Essa visão está mudando. “As boas sucessões são feitas em vida”, afirma.
Ele observa que os próprios fundadores podem querer, em determinado momento, reduzir sua participação no negócio para se dedicar a projetos pessoais. Por isso, a transição precisa ser planejada e construída gradualmente, permitindo que as novas gerações adquiram conhecimento e experiência enquanto os fundadores ainda estão presentes.
Na Transpanorama, esse processo conta também com acompanhamento especializado. Para Guilherme, o suporte tem sido fundamental para que a transição ocorra de maneira natural.

Quatro sucessores

Guilherme é o único homem entre os quatro sucessores da família. As outras três são a irmã (Polyany) e suas primas (Izabella e Jéssica) também preparadas para participar do futuro da empresa. Para ele, o gênero não é um fator relevante. O setor de transporte, reconhece, foi historicamente marcado por uma presença masculina muito forte. Mas essa realidade está mudando, com mulheres ocupando cada vez mais posições de liderança. “As pessoas estão muito voltadas realmente para a capacidade da pessoa e não se ela é um homem ou se ela é uma mulher”, afirma.
Mais importante do que a composição do grupo, na sua avaliação, é a relação construída entre os quatro sucessores. Guilherme destaca o respeito entre eles e a capacidade de ouvir opiniões diferentes.
Essa convivência, segundo ele, também é reflexo do exemplo dado por Valdecir e Claudio. Os dois fundadores mantêm uma parceria que Guilherme considera excepcional. “Eles, pelo olhar um do outro já sabem o que estão pensando”, conta. Em reuniões, diz, é comum que um comece uma frase e o outro já saiba como ela terminará.

Amor pelo caminhão

Antes de se tornar executivo, porém, Guilherme foi simplesmente um garoto fascinado por caminhões. Ele lembra que, por volta dos 11 ou 12 anos, costumava ir à empresa e fazer amizade com os motoristas. Pedia para manobrar as carretas e acabou aprendendo a colocar um bitrem de ré dentro de um barracão. O pai, embora tivesse receio de que algo desse errado, também participou desse aprendizado. Foi Valdecir quem ensinou o filho a dirigir e a realizar as manobras.
A ligação com a estrada também veio cedo. Durante as férias escolares, Guilherme acompanhou motoristas em viagens que duravam de 15 a 20 dias. A infraestrutura encontrada na época era muito mais precária do que a atual. Havia carregamentos que exigiam percorrer centenas de quilômetros de estrada de chão. Para Guilherme, porém, as dificuldades eram parte da diversão.
As lembranças dessas viagens permanecem entre as melhores de sua infância e adolescência. Mais do que uma profissão, o transporte acabou se tornando uma vocação. “A gente aprendeu a amar o transporte desde criança”, resume.
Hoje, quase quatro décadas depois do nascimento da Transpanorama e 25 anos depois de seu primeiro trabalho na empresa, Guilherme vive uma nova etapa dessa história. O menino que cresceu entre caminhões se prepara para assumir responsabilidades em uma companhia muito maior do que aquela que conheceu na infância.
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