Aos 27 anos, filha de Claudio Adamuccio atua na gestão de projetos, no Centro de Controle Operacional e Compliance e participa do processo de sucessão da Transpanorama, que foi planejado para ocorrer ao longo de dez anos
Aos 27 anos, Izabella Adamuccio já ocupa uma posição estratégica na Transpanorama. Filha de Claudio Adamuccio, um dos fundadores da empresa, ela atua como gerente do setor de Projetos, do Centro de Controle Operacional (CCO) e de Compliance. Mas sua trajetória na empresa não começou com um cargo definido. Ela foi construída a partir da observação, da identificação de problemas e da busca por soluções.
Izabella fez estágio no setor jurídico da Transpanorama enquanto cursava Direito. Depois, afastou-se para estudar para a OAB e fazer uma pós-graduação. Há cerca de três anos e meio, voltou à empresa sem um direcionamento específico sobre onde deveria atuar. Foi então que combinou com o pai que passaria um período conhecendo os diferentes setores, acompanhando reuniões e observando o funcionamento da empresa. Depois de aproximadamente seis meses nesse processo, identificou um problema que considerou recorrente: havia muitas ideias, mas pouca capacidade de levá-las até o fim.
A partir daí, decidiu estudar uma metodologia que pudesse ajudar a empresa a transformar ideias em resultados. Encontrou no PMO (Project Management Office) o modelo que procurava e criou o setor de Projetos da Transpanorama praticamente do zero. “Eu criei esse setor com o intuito de ser uma força-tarefa para fazer com que as ideias fossem colocadas em prática, que o problema fosse de fato resolvido, com planejamento, prazo e as pessoas certas envolvidas”, explica.
A área passou a atuar justamente naquilo que Izabella identificara como uma das principais necessidades da organização: transformar projetos em ações estruturadas, com diagnóstico, planejamento, definição de responsáveis, acompanhamento de resultados e registro do conhecimento adquirido. Um exemplo foi a reestruturação da torre de controle da empresa. O projeto deu origem posteriormente a uma área destinada a acompanhar os indicadores e os alertas logísticos gerados pelo sistema, buscando aumentar a produtividade da frota. Depois de implantada e incorporada à rotina, a iniciativa deixou de ser tratada como projeto.
Outro trabalho foi a criação de uma loja para comercializar peças que não eram utilizadas ou haviam se tornado obsoletas. Segundo Izabella, o estoque ocupava contêineres e carretas que acabavam ficando improdutivos. A equipe catalogou as peças, fez a precificação, providenciou a documentação e regularização necessárias, contratou pessoas e estruturou os processos. Com a operação funcionando de forma independente, o projeto foi considerado concluído.
Hoje, a área de Projetos trabalha principalmente com iniciativas estratégicas. O portfólio atual reúne 22 projetos simultâneos. Um deles envolve a revisão dos processos de compras e almoxarifado, em conjunto com a área de tecnologia, com o objetivo de ganhar agilidade e produtividade sem ampliar a estrutura de pessoal. “Um grande objetivo nosso é fazer mais com os recursos que nós já temos, não ter que inflar uma área para que ela possa abraçar mais atividades”, afirma.
Para Izabella, a inovação sempre encontrou espaço dentro da Transpanorama porque faz parte da cultura construída pelos fundadores. Ela cita como exemplo a adoção da carreta de quarto eixo, que considera uma inovação que ajudou a mudar o cenário do transporte no Brasil. “Quem criou a empresa sempre teve essa visão de que a inovação traz sustentabilidade para o negócio, traz perenidade para o negócio”, diz.
Uma sucessão planejada
Paralelamente à atuação profissional, Izabella participa, ao lado da prima Polyany e dos demais sucessores da família, de um processo estruturado de sucessão. Segundo ela, a preparação começou antes de qualquer necessidade de transferência efetiva do comando e foi planejada para durar dez anos.
A família conta com o apoio de uma consultoria e de profissionais especializados em governança e sucessão. A ideia é que os sucessores avancem gradualmente em autonomia e responsabilidades, ao mesmo tempo em que conhecem profundamente a empresa e aprendem com aqueles que ajudaram a construí-la. “Sucessão não é algo que acontece do dia para a noite. Se é assim que acontece, a chance de falhar e de levar a empresa ao fracasso é imensa”, afirma.
O processo prevê reuniões entre os sucessores, a família, gestores e consultores, além de etapas progressivas de aprendizado e ampliação de responsabilidades. Para Izabella, esse método reduz conflitos e ajuda a construir consensos. “Como cada pessoa é muito diferente, cada um tem sua personalidade e sua visão. Quando você tem alguém imparcial no meio desse processo, conduzindo tudo que foi planejado, é muito mais fácil chegar a um consenso”, explica.
Três anos depois do início do processo, ainda restam sete anos para sua conclusão. Izabella vê esse período como fundamental para que os sucessores estejam preparados não apenas para assumir responsabilidades, mas para compreender profundamente o negócio que receberão.
Crescer e preservar
Diante de um cenário econômico e político que pode impor dificuldades às empresas, Izabella acredita que a Transpanorama deve continuar buscando oportunidades, inclusive nos momentos mais difíceis. Para ela, crises também podem servir para olhar para dentro, identificar o que precisa ser atualizado e corrigido e preparar a empresa para sair mais forte.
O objetivo dos sucessores, afirma, é preservar a força que a Transpanorama conquistou e, ao mesmo tempo, avançar. “Nós queremos manter e melhorar, e avançar. A gente vai buscar o que for necessário para manter a empresa de pé, firme, crescendo e melhorando a cada dia”, resume.
Desafio extra para as mulheres
Em um setor tradicionalmente masculino, Izabella também reconhece que ser mulher acrescenta desafios à trajetória profissional. Ela conta que já passou por situações subjetivas em que percebeu a necessidade de apresentar seus argumentos de maneira diferente ou buscar maior espaço de fala.
Não se trata, segundo ela, de episódios abertos de confronto, mas de situações cotidianas nas quais a condição de mulher pode exigir uma estratégia adicional. “Esse desafio existe na nossa sociedade de um modo geral, mas é mais um desafio entre tantos outros que a gente se propõe a superar”, afirma.
Para Izabella, a presença das sucessoras e das demais mulheres da nova geração também faz parte da transformação da empresa e da própria atividade de transporte. Mais do que simplesmente ocupar posições de liderança, elas estão sendo preparadas para ajudar a garantir a continuidade de uma empresa construída por seus pais e que, agora, começa a preparar a próxima geração.




