Capa da Revista Carga Pesada no lançamento do Move Brasil, o autônomo Márcio de Souza e Silva afirma que o financiamento do programa federal reduziu os custos de manutenção e trouxe segurança para trabalhar
Dilene Antonucci
No início deste ano, a Revista Carga Pesada contou a história do caminhoneiro autônomo Márcio de Souza e Silva, de Brasília (DF), um dos poucos profissionais da categoria a conseguir financiar um caminhão zero-quilômetro pelo programa Move Brasil, do governo federal. Graças à linha de crédito, ele comprou um VWCO Constellation 26.260, seu primeiro caminhão novo.
Seis meses depois, a realidade do programa mostra que histórias como a de Márcio continuam sendo exceção. Na segunda fase do Move Brasil, apenas 1,4% dos recursos liberados foram destinados aos caminhoneiros autônomos.
Em nova entrevista à reportagem, Márcio afirma que a aquisição do caminhão transformou sua rotina de trabalho. “Posso dizer com grande autoridade que melhorou, e melhorou muito”, afirma.
Antes, ele trabalhava com um Mercedes-Benz L-1620, ano-modelo 2009/2010, que, segundo ele, vivia na oficina. “O caminhão estava naquela fase de só viver quebrando. Todo mês aparecia um problema diferente. Às vezes a peça nem era tão cara, mas a mão de obra pesava muito.”
Segurança para trabalhar
Além da economia com manutenção, Márcio destaca outro benefício difícil de mensurar: a tranquilidade. “Eu não tinha coragem de sair de Brasília para a Bahia com o caminhão antigo. Sempre ficava pensando: ‘e se ele quebrar no meio do caminho?’. Com um caminhão novo você trabalha com muito mais segurança e confiança.”
Ele afirma que ainda está na fase de amaciamento do Constellation e procura dirigir de forma cuidadosa para preservar o veículo e reduzir o consumo de combustível. “Você mesmo vai ensinando o caminhão a trabalhar do jeito que você gosta.”
Programa foi decisivo
Márcio diz que jamais teria conseguido comprar um caminhão novo sem o Move Brasil. “Se não fosse o programa do governo, eu não teria aderido. Foi uma excelente oportunidade. Se ele não existisse, provavelmente eu teria vendido o caminhão velho e talvez nem tivesse comprado outro.”
Por que tão poucos conseguem?
Para o caminhoneiro, o principal obstáculo não é a falta de interesse, mas sim o cumprimento dos critérios exigidos para aprovação do financiamento. Ele acredita que muitos autônomos acabam reprovados por problemas de crédito ou por não atenderem aos pré-requisitos do programa.
“Eu sempre procurei honrar meus compromissos. Faço questão de manter um bom histórico financeiro. Mas nem todo mundo consegue. Às vezes a pessoa passou por uma doença ou outra dificuldade financeira, ficou negativada e isso acaba impedindo o financiamento.”
Outro fator importante, segundo ele, é a necessidade de estar vinculado a uma cooperativa, como ocorre no seu caso, por meio da Coopercam. “Isso também é um pré-requisito. Quem não faz parte de uma cooperativa ou não atende às exigências acaba ficando de fora.”
Embora não tenha números precisos, Márcio diz conhecer poucos colegas que conseguiram comprar caminhões novos pelo programa. “Conversei com alguns amigos da cooperativa que tentaram, mas não conseguiram justamente por causa de restrições financeiras.”
Recuperação de cirurgia
Atualmente, Márcio está afastado temporariamente da direção após passar por uma cirurgia e contratou um motorista para operar o caminhão durante sua recuperação. Mesmo assim, acompanha diariamente a operação por meio de um sistema de rastreamento instalado no veículo.
“Eu monitoro tudo: velocidade, trajeto, se o caminhão está parado ou em movimento. Assim consigo acompanhar o trabalho mesmo estando em recuperação.”
Apesar do afastamento temporário, ele afirma que a decisão de investir no caminhão novo foi a melhor que tomou na carreira. “Hoje eu tenho tranquilidade para trabalhar. Só isso já faz toda a diferença.”




