Região registra salto expressivo de problemas nas estradas, segundo o Radar CNT do Transporte – Pontos Críticos, puxado principalmente por Mato Grosso e Tocantins
Nelson Bortolin
Tanto no curto quanto no médio prazo, o Centro-Oeste é a região do Brasil onde mais aumentou o número de pontos críticos nas rodovias, segundo o Radar CNT do Transporte – Pontos Críticos 2025. A Revista Carga Pesada publica uma série especial de reportagens com os principais dados e análises do estudo.
Em 2025, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) identificou 168 pontos críticos nas rodovias do Centro-Oeste. O número representa um aumento de 442% em relação a 2024, quando haviam sido registrados apenas 31 problemas. Na comparação com 2021, primeiro ano da série histórica do levantamento, o crescimento é de 380% — naquele ano, a região somava 35 pontos críticos.
Entre as grandes regiões do país, somente o Nordeste apresentou melhora tanto no curto quanto no médio prazo. Em 2025, foram contabilizados 781 pontos críticos nos oito estados nordestinos, número 23% menor que em 2024 e 7% inferior ao registrado em 2021, indicando avanço na conservação da malha rodoviária regional.

Mato Grosso concentra maior deterioração
No Centro-Oeste, o Mato Grosso foi o estado que mais contribuiu para a piora do cenário, possivelmente em função da forte demanda do transporte de commodities agrícolas. Em 2021, o estado registrava seis pontos críticos. Em 2024, esse número havia caído para dois, mas saltou para 99 ocorrências em 2025.
A deterioração representa um aumento de 4.850% na comparação com 2024 e de 1.550% em relação a 2021. Do total de problemas identificados no estado, 94 estão relacionados a buracos grandes na pista. O levantamento também apontou uma ponte estreita, uma queda de barreira e outras ocorrências não detalhadas no painel da CNT.
Outro dado mostrado pelo Radar é que 94% dos pontos críticos em Mato Grosso estão em rodovias sob responsabilidade do poder público, enquanto 6% foram registrados em vias concedidas à iniciativa privada.
Tocantins também apresenta piora significativa
O Tocantins aparece como o segundo estado que mais impactou negativamente os númros do Centro-Oeste. Em 2021, o estado tinha 26 pontos críticos, número que caiu para 12 em 2024, mas voltou a subir de forma acentuada em 2025, alcançando 64 ocorrências.
O crescimento representa um aumento de 433% no curto prazo e de 146% no médio prazo. Assim como em Mato Grosso, os buracos grandes predominam entre os problemas identificados, com 60 registros. O estudo também aponta uma erosão na pista, uma ponte estreita e uma ponte caída.

Panorama nacional mostra leve melhora
Apesar do avanço preocupante no Centro-Oeste, o cenário nacional apresentou leve melhora em 2025. O Radar CNT do Transporte identificou 2.146 pontos críticos em todo o país, o que representa uma redução de 12,3% em relação a 2024, quando haviam sido registrados 2.446 problemas.
Em âmbito nacional, os principais problemas também seguem ligados à conservação da pista. Os buracos grandes respondem por 71,5% das ocorrências em 2025. Na sequência aparecem erosão na pista (14,6%), queda de barreira (8,3%), ponte estreita (2,8%) e ponte caída (0,4%).
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