Empresário de Dourados conta como ficou sabendo que havia ganhado o Scania R 460 6×2 Super comemorativo dos 75 anos da P.B. Lopes
“Foi um presentão, deu um ânimo para o ano.” A declaração é do empresário Fernando de Godoy, da North Face Transportes, de Dourados (MS), ganhador do Scania R 460 6×2 Super, comemorativo dos 75 anos da concessionária P.B. Lopes. Ele não pôde ir ao evento em Londrina e, naquela noite do dia 5 de março, havia esquecido que o sorteio seria realizado.
Ele conta que já havia ido deitar e deixado o celular de lado. O telefone tocou uma vez, mas Godoy não atendeu. Achou que era um amigo e pensou: “falo com ele amanhã”. Minutos depois, o celular voltou a tocar. Ao olhar a tela e ver o nome do vendedor da P.B. Lopes, virou-se para a esposa e arriscou: “Ganhamos o caminhão.”
Do outro lado da linha, em uma videochamada, veio a confirmação. “Quando falaram ‘Fernando, você ganhou um caminhão’, eu fiquei sem reação. Eu estava torcendo para pagar o caminhão e acabei ganhando. Você faz o consórcio, mas não espera ganhar.”
Trajetória no transporte de grãos
Dono da North Face Transportes, de Dourados, Godoy construiu sua história no setor a partir do trabalho e de parcerias. “Eu sou natural de Ijuí, no Rio Grande do Sul. Vim para Mato Grosso do Sul com 14 anos e comecei no transporte com um sócio. Depois de 13 anos, abrimos a North Face, que hoje tem sete anos.”
A empresa atua principalmente no transporte de grãos, com foco em soja e milho. “Nosso foco é soja e milho. A maior parte vai para exportação, principalmente para Maringá, para terminal ferroviário, e Paranaguá. Trabalhamos nessas rotas praticamente o ano inteiro.”
Com o caminhão sorteado, a frota chega a 33 veículos.
Pé quente no Scania Consórcio
A empresa opera com diferentes marcas, reflexo das condições de crédito ao longo dos anos. “Quando começamos, fomos comprando o que dava crédito. Temos Volvo, Scania, DAF, Mercedes, Iveco. Temos um Meteor (Volkswagen). Mas hoje a que mais temos é Scania.”
Godoy destaca o consórcio como alternativa importante — e, no caso dele, decisiva. “Eu tenho consórcio com outras empresas que nunca contemplaram. Já com a Scania, esse é o terceiro e os três foram pé quente.”
Ele lembra que uma das contemplações ocorreu logo após um acidente grave na empresa. “Eu tinha pago 18 parcelas e saiu uma carta de crédito de mais de R$ 1 milhão. Foi coisa de Deus.”
Custos altos e frete pressionado
Apesar da conquista, o cenário do transporte preocupa, principalmente no agronegócio. “O milho e a soja foram bons agora, mas os últimos anos de seca prejudicaram muito. E agora o preço da soja caiu.”
Segundo ele, o principal problema é o descompasso entre custo e receita. E o preço do caminhão, de acordo com Godoy, subiu muito. “Depois da pandemia, o caminhão dobrou de valor e o frete é igual ou pior. Não vejo condição de comprar um caminhão de R$ 1 milhão para o nosso tipo de operação.”
O modelo tradicional de financiamento, segundo ele, deixou de ser viável. “Antes, o caminhão se pagava. Hoje, uma parcela passa de R$ 40 mil. É inviável.”
Ano de cautela
Diante das incertezas econômicas e políticas, a decisão é segurar investimentos. “Esse ano, provavelmente, não vou comprar caminhão. Tem eleição, cenário internacional indefinido. Não dá para assumir compromisso.”
Nesse contexto, o caminhão ganho surge como um reforço inesperado para a operação — e um alívio em meio a um mercado cada vez mais desafiador.





