Impacto dos juros altos e problemas enfrentados pelo agronegócio puxaram queda, concentrada nos modelos extrapesados; expectativa é de retomada moderada em 2026
Nelson Bortolin
O mercado brasileiro de caminhões novos encerrou 2025 com retração de 8,65% na comparação com 2024, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (13) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Ao longo do ano passado, foram emplacados 110.873 caminhões, contra 121.373 unidades no ano anterior.
A queda foi ainda mais acentuada no segmento de implementos rodoviários, que registrou recuo de 19,88%. O volume de emplacamentos caiu de 88.660 unidades em 2024 para 71.030 em 2025, de acordo com a entidade.
Ao contrário do desempenho negativo dos caminhões e implementos, os demais segmentos do mercado automotivo fecharam 2025 em alta. O mercado de ônibus cresceu 4,23%, passando de 27.674 unidades em 2024 para 28.844 no ano passado. Já os automóveis de passeio registraram aumento de 2,49% nas vendas, com os emplacamentos subindo de 1.948.024 para 1.996.531 unidades.
Os comerciais leves também apresentaram crescimento, de 2,58%, ao avançar de 537.295 unidades em 2024 para 552.931 em 2025. O destaque positivo ficou com o mercado de motocicletas, que teve a maior expansão entre os segmentos: alta de 17,13%, com os emplacamentos saltando de 1.875.890 para 2.197.308 unidades.
Queda concentrada nos extrapesados
Por meio da assessoria de imprensa, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, avaliou que o desempenho negativo dos caminhões reflete a forte dependência do setor em relação ao crescimento econômico e às condições de crédito.
“O resultado mostra a reação de um mercado muito dependente do PIB nacional e das taxas de juros aplicadas aos financiamentos, que fizeram os transportadores ficarem em compasso de espera pela redução dos juros. Agora, o setor passa a contar com o programa do governo federal Move Brasil, que teve o envolvimento da Fenabrave, para estimular a renovação de frotas no primeiro semestre de 2026”, afirmou.
Segundo Arcelio Junior, a retração em 2025 foi puxada principalmente pelos caminhões extrapesados. “Com os problemas no agronegócio (irregularidades de chuva, quebras pontuais de safra e baixa nos preços internacionais), o maior impacto nas vendas foi sofrido pelos extrapesados, que representam quase 45% do mercado e que apresentaram queda média de 20,33% em relação a 2024”, explicou.
Ele destacou que o bom desempenho dos caminhões médios e semipesados ajudou a conter uma retração ainda maior no segmento. Essas categorias registraram crescimento de 31,86% e 4,56%, respectivamente. “Sem esse resultado, o volume total de emplacamentos de caminhões poderia ter sido ainda mais baixo”, completou.
Nos registros históricos da Fenabrave, o melhor desempenho do segmento de caminhões ocorreu em 2011, quando foram emplacadas 172.668 unidades — volume 35,79% superior ao registrado em 2025.
Expectativa de crescimento em 2026
Para 2026, a Fenabrave projeta um cenário mais favorável para o mercado de caminhões. A estimativa é de 114.752 unidades emplacadas, o que representa crescimento de 3,5% em relação a 2025.
De acordo com Arcelio Junior, o Programa Move Brasil deve aportar até R$ 10 bilhões em financiamento subsidiado até junho, com taxas entre 13% e 14% ao ano. “Esse volume de recursos pode impulsionar o setor, somado à expectativa de redução da taxa Selic até o fim do ano e à perspectiva de uma boa safra agrícola, especialmente de grãos”, avaliou.
Para os implementos rodoviários, segmento que acumula sucessivas quedas nos últimos anos, a entidade projeta uma recuperação ainda tímida em 2026. A expectativa é de crescimento de 2%, com o emplacamento de 72.450 unidades, tomando como base o desempenho negativo de 2025.





