VW Gigantes Move Brasil

MÊS DA MULHER: Grupo reúne mais de 500 caminhoneiras

Pinterest LinkedIn Tumblr +
DAF

Rede fundada por Iara Souza oferece apoio profissional, jurídico e de saúde para caminhoneiras e para mulheres que querem entrar na profissão

Um grupo criado para apoiar caminhoneiras e mulheres interessadas em entrar na profissão já reúne mais de 500 participantes de várias regiões do Brasil e até do exterior. A iniciativa é da caminhoneira Iara Souza, de Uberlândia (MG), fundadora do Motoras do Brasil, uma rede de apoio que funciona principalmente por meio do WhatsApp e do Instagram.

O objetivo é simples: conectar mulheres que trabalham ou querem trabalhar no transporte rodoviário de cargas e oferecer orientação prática para enfrentar os desafios da profissão.

Hoje o grupo conta com 535 integrantes e funciona também como uma rede de proteção nas estradas. “Quando uma das meninas vai para um lugar que não conhece, ela pergunta no grupo qual é o posto mais seguro para pernoitar ou qual trecho é melhor evitar”, conta Iara.

Além da troca de informações entre as próprias caminhoneiras, o grupo também oferece apoio profissional em áreas importantes para quem vive na estrada. Há a participação de uma psicóloga e de uma médica, que orientam sobre saúde física e mental, além de uma caminhoneira formada em direito, que auxilia as integrantes com questões jurídicas.

Da convivência com caminhoneiros à profissão

Iara conhece bem a rotina do transporte rodoviário. Ela é filha, neta e esposa de caminhoneiro. Durante muitos anos, porém, acompanhou a profissão do lado de quem ficava em casa. A mudança aconteceu durante a pandemia de Covid-19. Depois de perder o emprego, decidiu usar a habilitação que já tinha para veículos pesados e entrar definitivamente no setor. O incentivo veio do marido. “Olha, eu acho que agora eu vou trabalhar com caminhão”, contou que disse a ele. A resposta veio com um desafio: “Não, você não vai trabalhar com caminhão, você vai trabalhar com carreta”.

Embora nunca tivesse trabalhado com caminhão antes, ela já possuía CNH na categoria D. Com o incentivo do marido, trocou pela E. Pouco tempo depois, conseguiu emprego na Braspress, em Uberlândia. Hoje dirige um Volkswagen Constellation 19.330 no transporte urbano de latas de cerveja.

Grupo nasceu nas redes sociais

Com o início da carreira, Iara passou a compartilhar nas redes sociais o dia a dia da profissão. As publicações começaram a atrair outras mulheres que viviam situações semelhantes. Foi desse contato que surgiu o primeiro grupo de apoio.

Inicialmente, a iniciativa recebeu o nome “As motoristinhas”, QRA que os colegas de trabalho tinham dado para Iara. Com o crescimento da comunidade e a chegada de participantes de todo o País, o projeto amadureceu e passou a se chamar Motoras do Brasil.

Hoje o grupo reúne caminhoneiras de diferentes regiões do País, além de brasileiras que trabalham na profissão na Europa e nos Estados Unidos.

Entrada das mulheres ainda é difícil

Mesmo com a falta de motoristas no setor de transporte, Iara afirma que a entrada das mulheres na profissão ainda acontece de forma lenta.

Segundo ela, muitas mulheres investem para mudar a categoria da habilitação, mas encontram dificuldade na hora de conseguir a primeira oportunidade. “Só ter habilitação não basta. As meninas fazem um investimento alto para trocar de categoria e quando vão procurar emprego encontram exigência de experiência. Isso é muito frustrante”, afirma.

Cota para as mulheres

Para ela, o crescimento da presença feminina nas estradas depende também de políticas públicas que incentivem a contratação de mulheres. Ela cita como exemplo o projeto de lei 2493/2022 que se encontra parado na Câmara dos Deputados. O texto diz que os empregadores que contratam motoristas profissionais empregados deverão “reservar número equivalente a 5% da quantidade de postos de motoristas à contratação de mulheres”.

A infraestrutura nas estradas, especialmente a falta de banheiros adequados, costuma ser apontada como um dos principais problemas para caminhoneiras. Iara reconhece que melhores condições são bem-vindas, mas afirma que isso não impede as mulheres de trabalhar. “Chegar num lugar e ter uma estrutura boa é ótimo. Mas isso não me limita. A gente aprende a se virar”, diz.

Com bom humor, ela conta que já encontrou até uma solução improvisada para as longas viagens. “Eu carrego meu penico. Já desenvolvi um baratinho”, brinca.

Truckscontrol
Consorcio
Moreflex
Compartilhar

Leave A Reply