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A sucessão familiar na Randon, contada pelo próprio sucessor

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Luciano Alves Pereira

Por iniciativa do presidente Sérgio Pedrosa e de seus companheiros de diretoria, o Setcemg – sindicato dos transportes mineiros, com sede em Belo Horizonte, está promovendo uma série de curtos eventos chamada Café com Palestra. No final de novembro, coube a não menos que David Abramo Randon, atual presidente da Randon S.A. Implementos e Participações (Divisão Holding), apresentar o case do conglomerado de Caxias do Sul (RS), intitulado A Sucessão e Profissionalização das Empresas Familiares. O fundador Raul Randon continua na presidência do Conselho de Administração.

Já a apresentação de David ocorreu no Actuall Hotel, de Contagem (MG), com sala cheia. A visão predominante no meio empresarial é que a transferência de bastão entre parentes é uma encrenca de bom tamanho, devido também às constantes divergências dos herdeiros-sucessores. Com o agravante da inevitável entrada dos vulgarmente chamados de ‘estrangeiros’, ou seja, cunhados, genros e noras. 
O caso da Randon, como explicou David, está dando certo, mas não por ‘parto espontâneo’. Os esforços dos herdeiros do legado de Raul Randon começaram o processo por volta de 1999, sempre sob assessoria de consultores especialistas na complicada matéria. David, hoje com 51 anos de idade e quase 30 de Randon, aprendeu muito com a transição e em sua palestra esbanjou didática.

Ele começou por definir empresa familiar. Buscou conceitos de terceiros, como o do professor João Bosco Lodi: “É uma empresa cujo controle é detido por uma família e cuja transferência se faz por herança”. Lembrou-se também do professor Donnelly, da Harvard Business School (EUA): “Organização cuja transferência de controle envolve pelo menos duas gerações da mesma família”.
Repassada a singela teoria, David desceu às cavernosas estatísticas dos insucessos. Fruto dos conflitos, tantas vezes retratados nas novelas da TV e nos casos concretos, os números apresentados pelo palestrante mostram que apenas 30% das empresas de pai-pra-filho continuam sob controle da segunda geração. Na terceira, nem é bom repetir, mas é preciso: somente 5% permanecem em Casa. Diante do esfarelamento epidêmico, poucas empresas brasileiras ultrapassam os 100 anos nas mãos de descendentes diretos.

As exceções não chegam a 20, entre elas, a Gerdau (RS), a Ypioca (CE), o jornal O Estado de S. Paulo e a mineira Cedro Cachoeira (a Randon completou 62 anos). A pesquisa aos escassos exemplos comporta o ‘encaixe’ da Retífica G. Lúcio, de Varginha (MG). Gumercindo Lúcio a fundou em 1918, para representar os carros Chevrolet. Deixou-a para Américo Naia, que apesar de genro, deu-lhe continuidade, já como retífica de motores. Hoje, aproximando-se dos 95 anos, os representantes da terceira geração, Eduardo, Marcelo e Mariza se somam na administração do negócio.

Como lembra a professora Aparecida Maria Nunes, da Faculdade Cenecista de Varginha, a Arqueologia das Organizações estuda as empresas de longa duração e procura compreender por que são tão raras. Focalizando o case do Sul de Minas, Aparecida Maria, indiretamente, ressalta os esforços e êxito dos sucessores e do próprio Raul Randon, ao afirmar que “o sucesso da longevidade dos empreendimentos G. Lúcio pode ser resumido pela palavra sucessão”. Esta, por sua vez, como deixou entender David, é um processo em contínuas alterações. Por isso, ele comentou que o bom encaminhamento da primeira para a segunda gerações não garante repetição para as seguintes.

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